UNITA volta a queixar-se de intolerância no interior de Benguela

Seis militantes da UNITA e dois do MPL A foram detidos na sequência de actos de intolerância política protagonizados pelas duas partes na comuna de Chindumbo, município Balombo

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

O caso deu-se no dia 5 de Agosto, fruto de um desentendimento entre militantes da UNITA e do MPLA, depois de os maninhos terem colocado uma bandeira da sua formação política na comuna de Chindumbo, município Balombo, supostamente controlada pelo MPLA. No entender de tais partidários, no local não devia haver outras cores que não as do “M”, razão por que a agremiação de Samakuva não se devia implantar lá.

O deputado Alberto Ngalanelã, secretário do “galo negro”, garante que o seu partido cumpriu os procedimentos administrativos junto das autoridades locais para a implantação da bandeira da sua formação política naquela localidade, nos marcos da legalidade. Segundo sustenta, esses procedimentos serviram apenas para que aqueles, a quem chama “inimigos da paz”, não partissem para as suas acções intolerantes. “Com anuência das autoridades tradicionais, a primeira coisa que fizeram foi ameaçar o responsável que arranjou o espaço onde iria ser implantada a estrutura,no dia 26 de Julho”, acusa o político, para quem o conteúdo das ameaças foi tão grave a ponto de o responsável da UNITA temer pela própria vida. Apesar das ameaças, a UNITA não se intimidou e decidiu avançar com a implantação da bandeira.

Face à insistência do arqui- rival, os militantes do MPLA terão, supostamente, partido para a agressão física, saqueando os bens do dirigente da UNITA, com recurso a objectos contundentes.

“No dia 3 de Agosto, insatisfeitos com a reposição da bandeira pelos nossos militantes, voltaram ao ataque de forma feroz, com machados, destruíram parcialmente a residência e voltaram a desferir golpes ao responsável”, esclarece. Em resposta, os militantes da UNITA desarmaramnos e aí se instalou o tumulto, acusando a Polícia de não ter tomado medidas cautelares quando se deu o facto. Contactado por vários órgãos de comunicação social, o MPLA, a quem se aponta o dedo, mostrou- se indisponível para avançar a sua versão dos factos.

Polícia diz ter reposto a tranquilidade

Em declarações a uma rádio local, o porta-voz da Polícia Nacional, superintendente-chefe Francisco Tchango, afirmou que o facto surgiu em função do desentendimento entre os militantes do MPLA e UNITA, por conta da qual 3 partidários do maioritário ficaram gravemente feridos e se encontram em tratamento médico no hospital regional do Lobito. Por intermédio das forças policiais, esclarece o porta-voz, foram detidos 6 militantes da UNITA e 2 do MPLA e confirma, tal como o “galo negro”, a destruição “de um património de um militante da UNITA” por elementos do MPLA.

Depois da detenção, os cidadãos foram remetidos ao Ministério Público para o devido tratamento, mas a situação já voltou à normalidade. Segundo apurou este jornal, o magistrado do Ministério Público que acompanhou o processo emitiu um mandado de soltura por achar não existirem motivos que justifiquem a manutenção da medida de coação gravosa, a prisão, no caso.

O facto surgiu uma semana depois de o delegado provincial do MININT e comandante da Polícia Nacional, Aristófane dos Santos, ter mantido um encontro com os partidos políticos no qual pediu maior colaboração entre eles.

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