Conflitos exigem compromissos nacionais – embaixador na Etiópia

O embaixador de Angola na Etiópia, Francisco da Cruz, afirmou que a gestão de conflitos requer compromissos nacionais, cada vez mais cuidados e inclusivos, sobretudo num ambiente internacional de grandes desafios e ameaças decorrentes do terrorismo, da violência extrema e do crime transnacional, entre outros

De acordo com o diplomata, enquanto no passado a estabilidade política era assegurada com recurso à ameaça da força militar, no presente é alcançada através de sistemas democráticos, com uma combinação de participação, diálogo, mediação e compromisso na procura  de soluções políticas em que todos podem e devem beneficiar. O embaixador, igualmente Representante Permanente junto da UA e UNECA, foi Quarta-feira, 14, um dos principais oradores num workshop que teve como cartaz o “Fórum Pan- Africano para a Cultura de Paz – Bienal de Luanda”, que Angola alberga de 18 a 22 de Setembro.

Organizado pelo Escritório da UNESCO em Addis-Abeba, o evento destinou-se a Parceiros para o Desenvolvimento de África e abordou também a Liberdade de Imprensa no continente, disse a ANGOP. Na sua intervenção, Francisco da Cruz disse que a experiência, sobretudo no contexto africano, tem provado que a preservação da paz depende não só de acordos políticos, económicos ou militares, mas, e sobretudo, do engajamento activo, profundo e patriótico dos cidadãos de um país, unidos na sua diversidade social, religiosa ou partidária. Segundo o diplomata, daí a importância da cultura da paz, deste conjunto de valores, atitudes e comportamentos que reflectem o respeito pela vida, pelo ser humano e a sua dignidade, que deve ser divulgado e praticado por todos e por cada um.

Realçou que a cultura da paz põe em primeiro plano os Direitos Humanos e condena a violência em todas as suas formas e promove a adesão aos princípios de liberdade, justiça, solidariedade e tolerância, assim como a compreensão entre os povos e as pessoas. “Como um país que viveu décadas de violência e divisões, Angola defende a paz como um processo abrangente e dinâmico que requer relações não violentas, não só entre os Estados ou entre estes e os seus cidadãos, mas também entre indivíduos, grupos sociais, e entre os seres humanos e o seu meio ambiente” sublinhou.

O diplomata vincou que este evento continental que Angola vai acolher é parte da implementação da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, incluindo o Objectivo do Desenvolvimento Sustentável 16 e aspirações da Agenda 2063 da União Africana e suas iniciativas, “A Agenda para a Paz” e “Silenciar as Armas até 2020”. Por seu turno, a directora do Escritório de Ligação da UNESCO à UA e UNECA, Ana Elisa Afonso, fez uma antevisão detalhada do que vai marcar a Bienal de Luanda, destacando a realização, em simultâneo, e os objectivos do Fórum de Parceiros:

Aliança por África; Fórum das Ideias, da juventude e da Mulher, assim como o Festival das Culturas. Para esta primeira edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz – Bienal de Luanda, a decorrer na capital angolana, perspectivam-se as presenças do Presidente do Egipto (Presidente da UA), do Mali (Campeão da UA para a Cultura), do Congo (Presidente da Conferência Internacional dos Grandes Lagos), da Namíbia (Presidente da SADC) e da Etiópia (única mulher presidente em África). Na qualidade de convidados especiais, os Chefe de Estado da RDC, Cabo Verde (Presidente da CPLP), Ellen Johson (Presidente do Júri do Prémio Felix Houphoet-Boigny), Director- Geral da UNESCO, Presidente da Comissão da UA, comissários desta e o Nobel da Paz, Dennis Mukwege

 

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