“Ele é que está a nos dar força”

Um dos filhos de Augusto Tomás, condenado ontem a 14 anos de prisão, disse, depois de uma visita ao pai, que, apesar da condenação, o ex-ministro dos Transportes está calmo, sereno e tem encorajado a família para que, nesse momento difícil, esteja unida

Por: Domingos  Bento 

Apesar da condenação a 14 anos de prisão e 18 meses de multa, a família de Augusto Tomás, que ontem esteve presente no Hospital Prisão de São Paulo, em Luanda, mostrouse calma e confiante no recurso interposto pelos advogados de defesa e disse que o ex-ministro segue tranquilo e tem motivado a família a estar coesa. Um dos filhos do ex-ministro, depois da visita ao pai, por volta das 14 horas, disse que, apesar da condenação, o ex-ministro dos Transportes está calmo, sereno e tem encorajado a família para que, neste momento difícil, esteja unida.

Para o filho, que prefere não ser identificado, a condenação do pai foi uma “injustiça”, mas, ainda assim, explicou que o antigo governante está “tranquilo” e confiante no bom resultado do recurso interposto. “Ele inclusive é que está a nos dar forças. Vamos esperar pelos próximos dias, mas ele está bem”, frisou o filho, sem muitos argumentos.

Por seu lado, uma das esposas do ex-ministro, que apareceu no tribunal por volta as 13h50 transportada numa viatura top de gama (um Cadillac Escalade), cinzenta, disse, numa curta conversa com o OPAÍS, que não tem comentários para descrever o processo que condenou o seu esposo a 14 anos de prisão e ao pagamento de 18 meses de multa. Visivelmente tranquila, a senhora, que evitou prestar mais quaisquer declarações, explicou, enquanto caminhava para o interior da unidade penitenciária, que a família só poderá prestar algum pronunciamento caso haja necessidade para o efeito, “mas de momento não temos nenhum comentário”

. Depois de condenado, o antigo ministro voltou ao Hospital Prisão de São Paulo por volta das 13h25. Logo de seguida, cerca de 30 minutos depois, os familiares de Augusto Tomás chegaram em massa em viaturas luxuosas que chamaram a atenção dos curiosos que estiveram de plantão à espera do antigo governante. A família, constituída por irmãos, esposas e filhos, entrava e saia normalmente da visita sem qualquer alvoroço, o que facilitou o trabalho dos agentes penitenciários que a todo instante barravam a aproximação de jornalistas e de outros curiosos junto ao estabelecimento penitenciário.

Consigo, a família carregava pequenos artigos em pastas que, supostamente, seriam para Augusto Tomás. Dentre os produtos transportados, um dos familiares carregava, nas mãos, uma lâmina de comprimidos e uma caixa preta de óculos. No entanto, ontem, desde o principio da manhã até à hora que o ex-ministro deu entrada na unidade penitenciária, transportado numa de um comboio de cinco viaturas, sob um sol abrasador, o ambiente que se vivia na Prisão Hospital de São Paulo era de pura tranquilidade.

Na parte de fora, para além dos familiares que faziam o movimento o “entra e sai”, um grupo disperso de pessoas ficava a apreciar o cenário sem grandes agitações. Dentre os curiosos, uns aplaudiam a condenação do ex-governante como sendo uma via certa para o efectivo combate à corrupção, enquanto outros “pediam a cabeça” de todos aqueles que surripiaram os cofres do país. Porém, apesar da espectativa criada em volta do dia do julgamento final, a Quinta-feira seguiu tranquila nos arredores do bairro Nelito Soares.

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