Jurista discorda da condenação do ex-ministro dos Transportes

Pedro Kaparakata, um conhecido advogado e crítico da governação, disse discordar da sentença de 14 anos de prisão efectiva aplicada ao ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, pelo Tribunal Supremo, decorrente do caso Conselho Nacional de Carregadores (CNC). Comentando a sentença, Pedro Kaparakata disse trata- se de um processo com um pendor político que recaiu a um governante que tinha poucas possibilidades de se defender. Em breves declarações a OPAÍS, o jurista apontou que Augusto Tomás foi vítima de uma cabala política, alegando haver casos mais candentes de peculato, cujos indiciados encontram-se em liberdade. Kaparakata foi mais longe ao afirmar que os juízes terão atendido a uma solicitação do poder político para demonstrar que se está combater os crimes de corrupção no país.

Disse que cada detentor de poder político cria a sua política de governação, e que “ a corrupção não é o mal maior neste país, e o seu combate é apenas uma máquina de diversão”. Na sua opinião, gostaria de ver nos bancos dos réus outros dirigentes ou antigos governantes acusados de delapidarem o erário público, mas que se encontram em liberdade, depois de serem ouvidos pela justiça. O jurista disse estar céptico quando à actuação dos tribunais, explicando que na vigência do antigo juiz presidente do Tribunal de Contas nunca tinha sido detectada qualquer irregularidades no Conselho Nacional de Carregadores. “Como é que foram detectados estes desvios em tão pouco tempo?” interrogouse a fonte, dizendo ser necessário que se faça mais investigação para a descoberta da verdade material”.

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