“poupança” de materiais de apoio inquieta líderes do PAT

Os dirigentes preocupados com o cenário dizem que, se os meios de apoio às sessões de formação contínua não forem usados, há o risco de se comprometer os objectivos do programa

Por:Alberto Bambi

De acordo com alguns responsáveis pela acção formativa dos municípios de Longonjo e Ukuma, na província do Huambo, a resistência em utilizar livros, quadros, impressoras e outros meios disponibilizados pelo Projecto Aprendizagem para Todos (PAT) surgiu devido a uma alegada recomendação passada por dirigentes provinciais, segundo a qual, depois das actividades, o material devia permanecer intacto, porque tinha de ser devolvido aos locais de origem. “Recebemos ordens superiores, ao nível da província, para não usar muito os aparelhos, quadros e outros materiais que recebemos do PAT, felizmente numa proporção que facilita o processo de formação em curso, no município, porque, se estragassem haveríamos de ser responsabilizados por isso.

Então, nós decidimos manter os quadros aqui no Centro de Recursos local, onde também guardamos as impressoras, que nem sequer possuem tinteiros”, revelou o responsável das Zonas de Influências Pedagógicas(ZIP) na presença do director da repartição municipal da Educação do Longonjo A notícia desagradou completamente os representantes da coordenação central do PAT, que se encontravam na referida municipalidade a constatar o andamento da terceira fase da 3ª Etapa da formação contínua dos professores contemplados pelo Projecto de Aprendizagem para Todos, que, ao questionarem quem teria deixado tal ordem, receberam como resposta um silêncio, de quando em quando intercalado com a expressão “chefes, só estamos a cumprir ordem”.

Por causa disso, a equipa de constatação, integrada por acessores do projecto e representantes do sector de ensino da Direcção Provincial da Educação do Huambo, recordou aos elementos que encabeçam o programa no Longonjo que a utilização dos materiais de apoio do PAT foi o apelo que mais dominou o encontro com os financiadores realizado no ano passado, em Luanda. Aliás, um dos altos mandatários aproveitou a oportunidade de registo constatada para encorajar, ironicamente, os professores e responsáveis do munícipio visitados a usarem os meios até se estragarem, ao ponto de dizer que “se fosse para os cuidar aqui e não serem utilizados, o melhor era ficarem no local de origem, porque não são só vocês que sabem guardar.

Pelo que apurou OPAÍS, igual situação foi registada pelos supervisores na escola primária número 1 localizada na sede municipal do Ukuma, onde, no centro de recursos instalado nesse estabelecimento de ensino, estes encontraram conjuntos de manuais de apoio totalmente selados, além de impressoras e paineis solares não instalados. Mas foi a supervisora da coordenação central do PAT, Juliana Rocha, que, ao constatar o mesmo problema no centro de recursos do Bailundo, onde as impressoras se mantinham novas, recomendou o uso imediato dos meios disponibilizados pelo projecto.

“O material foi dado para ser usado, não é para ser devolvido e não existe nenhuma ordem superior para se guardar e devolver, porque se assim fosse, não faria sentido disponibilizá-los”, esclareceu a supervisora, asseverando que os financiadores teriam motivos para se entristecer, se essa situação continuar. A seguir, pediu a colaboração

Autorização de uso na hora

O fenómeno da resistência na utilização dos quadros e outros materiais de apoio, que se ia tornando conjuntural por par te das ZIP e equipas de outros dirigentes municipais envolvidos no PAT, voltou a ser diagnosticado no município do Cachiungo, onde o responsável do ensino geral, Agostinho Satchissokele justificou-se alegando que só havia quatro para 10 escolas, quando questionado pela supervisora nacional, Juliana Rocha.

“Por um lado, é para evitar ciúmes, por outro, e o mais preocupante, nós temos medo de os distribuir porque não podemos mexer nada sem autorização dos superiores, por isso optamos por mantêlos aqui”, revelou o chefe do ensino geral local, tendo-se prontificado para recuar da sua decisão caso Abel da Silva, seu superior hierárquico, ao nível da província, autorizasse naquele instante a distribuição dos mesmos. Por seu turno, o coordenador provincial das ZIP não hesitou, tendo imediatamente ordenado a entrega dos quadros, a começar pelas escolas mais necessitadas, reiterando que é para isso que o PAT disponibilizou os materiais de apoio.

Curiosamente, a Direcção Municipal da Educação do Cachiungo, na pessoa do seu líder, Manuel Sequesseque, sabia que havia uma, entre as dez escolas primárias da sede municipal contempladas pelo Projecto Aprendizagem para Todos, que tinha nas salas de aulas os quadros bastante danificados.

Madre obrigada a tirar quadros da caixa

Missionária da congregação de São José de Cluny, Maria Luís Camissombo, responsável da escola primária católica da sede do município de Chinguari, província do Bié, foi aconselhada a tirar os quadros da caixa. A supervisora nacional, destacada na conhecida por “cidade invicta” até ao dia 28 do corrente mês, orientou que os referidos materiais não podiam permanecer dentro dos plásticos e encaixotados, já que foram disponibilizados com o fim de serem afixados nas salas de aulas e usados. O exercício de retirar os quadros de cor verde da cobertura de papelão foi, imediatamente, cumprido pela freira, antes da delegação de supervisão integrada se retirar do local, de modo a garantir que os mesmos passassem a ser utilizados.

Uso louvado no Mungo

Ao receber a visita da equipa de supervisão integrada, o centro de recursos da escola primária número 1 da sede municipal do Mungo foi a primeira secção a ser visitada, tendo o cenário observado correspondido às expectativa dos visitantes, ao ponto de terem manifestado satisfação total. “Aqui, sim, o material está a ser mesmo usado e estão de parabéns por isso” desabafou a supervisora Juliana Rocha, que se apercebeu da utilização dos meios de apoio do PAT ao ver os manuais fora dos selos e das caixas e ter notado que os quadros estavam aplicados, bem como a disposição de outros materiais teoricamente acabados de ser usados, já que a delegação de que fazia parte chegou na hora do intervalo.

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