Autoridades tradicionais de Luanda preocupadas com proliferação de “falsos sobas”

“Tenho dito que autoridades tradicionais até podem ser, mas da linhagem de Luanda não”, frisou o secretário das Autoridades Tradicionais de Luanda, João Adão, que se preocupa com a “invasão de sobas”

As autoridades tradicionais de Luanda manifestaram- se ontem, Sexta-feira, 16, preocupadas com a “proliferação e invasão de sobas” que “não fazem parte da linhagem” da capital angolana, referindo que a situação surge por “interesses de terceiros” por recompensas financeiras.

Segundo o secretário das Autoridades Tradicionais de Luanda, João Adão, a presença excessiva de sobas distantes da linhagem dos ancestrais de Luanda tem causado enorme confusão nas suas actividades. “É que hoje [Sexta-feira] por intermédio de outros interesses apresentam-se como autoridades tradicionais, então queremos acabar com essa confusão e encontrar quem são os verdadeiros da linhagem dos nossos ancestrais”, disse João Adão, à margem da discussão pública da Proposta de Lei sobre as Instituições do Poder Tradicional.

Em seu entender, “existe muita confusão”, principalmente em Luanda, “que é afunilada por todos que se apresentam como autoridades tradicionais”.

“Tenho dito que autoridades tradicionais até podem ser, mas da linhagem de Luanda não”, frisou. A discussão pública da proposta de lei sobre as Instituições do Poder Tradicional, que visa recolher contribuições para a definição e regulação das atribuições e competências administrativas daquelas entidades, foi promovida pelo Ministério da Cultura. João Adão, também soba grande da comuna do Mussulo, península do litoral de Luanda, aplaudiu a iniciativa das autoridades administrativas do país assegurando que a discussão será exaustiva para “melhor controlo e fiscalização” das verdadeiras autoridades tradicionais de Angola.

Na ocasião, a directora nacional das Comunidades e das Instituições do Poder Tradicional de Angola, Rosa Melo, deu conta de que o Governo angolano gasta mensalmente cerca de 800 milhões de kwanzas para subsidiar 40.075 autoridades tradicionais espalhadas pelo país.

O evento contou com a presença de autoridades tradicionais, associações, organizações não-governamentais, investigadores e estudantes, entre outras individualidades.

error: Content is protected !!