Cinturão e Rota: o sonho chinês de interligar o mundo por terra e mar

Estabelecer e fortalecer parcerias interconectadas entre os países dos continentes asiáticos, europeu e africano é o grande desafio a que a China se propôs concretizar, por via da iniciativa Cinturão e Rota (que significa “um Cinturão Económico da Rota Terrestre da Seda e uma Rota Marítima da Seda no Século XXI”), lançado há seis anos

Diante da plateia atónita com o que acabava de ouvir, reunida numa das salas do Centro Hotel de Exposições de Beijing, Wang Cheng An, antigo secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, manifestou- se confiante na concretização desse projecto.

Esclareceu que o mesmo se consubstancia em construir uma rede de interconexões com várias orientações, vários níveis e em forma composta a fim de realizar o desenvolvimento diversificado, autónomo, equilibrado e sustentável da humanidade. “Promover a construção de Cinturão e Rota não é apenas a necessidade da China expandir e aprofundar a sua abertura, surge também da necessidade de se reforçar a cooperação de benefício mútuo com os países da Ásia, Europa e África”, frisou, dirigindo-se a profissionais de comunicação social de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Principe e Brasil que o ouviam atentamente.

No que tange a sua implementação interna, disse estar combinada estrategicamente em quatro pontos principais, designadamente o desenvolvimento ocidental, a revitalização do Nordeste, a ascensão da China Central e o desenvolvimento oriental na vanguarda. Além de que, tem como suporte o Cinturão Económico do Rio Yangze e o desenvolvimento coordenado entre as cidades de Beijing– Tianjin–Hebei.

De acordo com Wang Cheng An, com a sua plena implementação poder-se-á atender às necessidades dos Estados que aderiram, promovendo a exportação de equipamentos e tecnologia chinesa, a fim de partilhar os frutos do desenvolvimento da China com os países em vias de desenvolvimento. Essa partilha poderá se feita através de quatro eixos, nomeadamente a comunidade política, a interconexão de instalações, a facilitação do comércio e a circulação de financiamento, gerando benefícios mútuo. Acredita-se que ao criar-se infra- estruturas que interliguem os três continentes acima mencionados vai-se criar um círculo económico activo no Leste asiático e outro na Europa desenvolvida, incluindo, no meio, a maioria dos países com potencial para o desenvolvimento económico.

Linhas terrestres e marítimas

Wang Cheng An disse que se pretende construir uma nova grande ponte continental Ásia-Europa, um grande corredor internacional de cooperação económica e um grande canal de transporte marítimo. O projecto Cinturão e Rota prevê que a ligação terrestre seja feita por três linhas férreas.

A primeira, por via da Ásia Central (Casaquistão, Usbequistão, Turcomenistão, Tajiquistão e Quiguistão), poderá ligar a Rússia e a China com a Europa (Mar Báltico); a segunda, através da Ásia Central e Ásia Ocidental, poderá ligar a China ao Golfo Pérsico e ao Mediterrâneo; já a terceira linha poderá ligar a China ao Sudeste da Ásia, Sul da Ásia ao Oceano Índico. Haverá ainda uma rede viária transfronteiriça cujas obras já tiveram início em alguns dos países que subescreveram o projecto, suportadas por linhas de financiamento chinesas. As ligações marítimas, por outro lado, aparentam ser menos complexas do que as anteriores, ferroviárias. Prevê que sairão navios dos portos costeiros chineses que atravessarão o Mar do Sul da China até ao Oceano Índico, estendendo-se à Europa.

A outra previsão é de saída de navios dos referidos postos costeiros com destino ao Pacífico Sul, atravesando a Mar do Sul da China. “No mar, os principais portos são utilizados como “pólos” para criar e construir em conjunto um canal de transporte seguro e eficiente”, frisou. Acrescentou de seguida que “os dois grandes corredores económicos China-Paquistão e Bangladesh-China-Índia-Mianmar estão intimamente relacionados com a construção de Cinturão e Rota e promovem a cooperação”. Por outro lado, está prevista a criação de infra-estrutura energética, oleodutos e de apoio ao transporte transfronteiriço de petróleo, gás natural, transmissão de energia, bem como de comunicação por cabo óptico transfronteiriço. De acordo com Wang Cheng An, com este desafio, o seu país pretende proporcionar facilidades de comércio e de investimento, impulsionar a criação de zonas de livre comércio e desenvolver o comércio electrónico (comércio digital) transfronteiriço.

A caminho da concretização

Wang Cheng An sublinhou que durante os últimos cinco anos alcançaram uma quantidade de grandes conquistas que sustentam a tese de que estão a caminhar no rumo certo, entre as quais o facto de o projecto ter sido concluído e a sua designação se tornado “uma palavra-chave internacional”. Apontou a construção dos caminhos da linha férrea Mombaça-Nairobi (no Quénia), Jakarta-bandung (na Indonésia), China-Laos, Sino- Tailandesa e a Hungria- Chipre como alguns dos projectos já concretizados neste âmbito. Contou que a nova grande ponte Ásia-Europa, por linha ferrea, liga a cidade de Lianyungang, província de Jiangsu (China), ao porto de Roterdão, Países baixos, com comprimento total 10.900 km. Essa ferrovia atravessa sete países, designadamente a China, Cazaquistão, Rússia, bielorrússia, Polónia, Alemanha e a Holanda. No domínio marítimo, está a conclusão das obras da segunda fase do Porto Khan bantota (no Sri Lanka) bem como a construção do Porto Colombo, também neste país, cujas obras se encontram bastante avançadas.

Acrescenta- se a entrada em funcionamento dos oleodutos de petróleo bruto China-Mianmar e China-Rússia. Figuram ainda na lista de concretizações os 9000 comboios regulares que foram executados entre a China e a Europa, chegando a 42 cidades de 14 países. “No período em análise, a comunicação de políticas continuou a aprofundar-se, as instalações fortalecidas, o comércio aperfeiçoado, o financiamento expandido e os corações das pessoas foram aproximados”, detalhou.

Para dar ênfase à importância do projecto, Wang Cheng An recorreu a uma frase de Xi Jinping, Presidente da China, segundo a qual “Cinturão e Rota não é apenas cooperação económica, mas uma maneira importante de melhorar o modelo global de desenvolvimento e governança global e promover o desenvolvimento saudável da globalização económica”.

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