Economistas defendem que o sector privado é a grande aposta para alavancar a economia

O Estado apresentou, na última semana, o programa de privatização de 195 empresas até 2022. Da lista anunciada, 80 serão privatizadas nos próximos quatros meses. Os economistas aplaudem a iniciativa e defendem que o sector privado é a grande aposta para alavancar a economia e assegurar a oferta interna de forma competitiva de bens e serviços

O economista Silvestre Francisco aplaude a iniciativa do Executivo angolano, referindo que esta medida vai relançar o sector privado e desenvolver a economia nacional. No entanto, defende maior fiscalização na lei das privatizações. “O sector privado é a grande aposta para o crescimento da economia.

As famílias vão contribuir com o pagamento dos impostos e os privados vão garantir mais postos de emprego”, disse. Na sua opinião, o sector privado deve assegurar a empregabilidade ao invés do Estado que, por sua vez, deve reduzir a economia de custo. “Vamos gerar concorrência perfeita e produção desejada para a exportação e encontrar equilíbrio na  economia”.

Para o especialista, o país encontra- se numa economia em que o sector privado não existe, e a maior parte dos empresários eram membros do Governo e criaram os seus negócios com o dinheiro do Executivo. “É preciso ver a lei da privatização das empresas para que sejam pessoas com iniciativas de empreender.

Noutras economias, são simplesmente empreendedores e não tem outros cargos governamentais”, referiu. Por sua vez, o economista Galvão Branco referiu que foi uma decisão necessária e oportuna no sentido da procura de eficácia e sustentabilidade do sector empresarial e uma garantia de assegurar a oferta interna de forma competitiva de bens e serviços. “Creio que os investidores estrangeiros associados aos nacionais serão os maiores interventores no processo de privatizações das 195 empresas nos próximos anos”, explica.

Para o economista, o processo de privatização não se compadece com estigmas nacionalistas. Grandes empresas públicas na lista de privatizações São mais de 195 as empresas a caminho da privatização, deste número, algumas são consideradas estratégica como é o caso da Sonangol, Endiama, TAAG, os bancos de Comércio e Indústria (BCI), Angolano de Investimentos (BAI), Caixa Geral de Angola e Económico, bem como as empresas financeiras Ensa Seguros e a Bolsa da Dívida e Valores de Angola (Bodiva).

As companhias de telecomunicações a passar para o capital privado no âmbito do Propriv são a Unitel (onde a MSTelecom tem uma participação de 20 por cento), a própria MS Telecom, Net One, Multitel, Angola Telecom, TV Cabo Angola, Angola Cables, Empresa Nacional de Correios e Telégrafos de Angola (ENCTA), Angola Comunicações e Sistemas (ACS) e Empresa de Listas Telefónicas de Angola (ELTA). Estão incluídas também as unidades agro-industriais Aldeia Nova e Biocom, as têxteis Textang II, Satec e África Têxtil, as cimenteiras Nova Cimangola e Secil do Lobito, bem como as cervejeiras Cuca, Eka e Ngola e a construtora Mota Engil Angola.

Outras empresas listadas para a privatização são a companhia aérea da Sonangol (Sonair), a Sociedade de Gestão de Aeroportos (SGA, que substitui a Enana) e a Sonangalp, uma distribuidora de combustíveis detida em 51% pela petrolífera estatal angolana.

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