Workshop esclarece concepção do Semba como estilo musical

O que motiva a realização do evento é a definição errada que se atribui a esse estilo musical popular angolano, muitas vezes confundido até por quem se diz fazedor

O workshop sobre o Semba enquanto estilo musical, visando esclarecer a sua concepção, será abordado por especialistas, no dia 23 de Agosto, na Casa de Cultura Njinga A Mbande, a partir das 9 horas, no distrito urbano do Rangel, em Luanda.

O objectivo deste seminário intensivo, de acordo com Patrícia Faria, directora do espaço, advém da necessidade urgente de se ter uma definição real daquilo que é um dos estilos mais populares do país, o qual nos últimos tempos, e devido a desinformação, tem vindo a ser objecto de conceitos inapropriados. Ante a possibilidade deste estilo não ocupar o lugar que lhe cabe e perder-se sem que as pessoas saibam o que representa, a sua preservação é importante para Patrícia Faria. “Neste primeiro workshop sobre o Semba, teremos um dia inteiro para debater com pessoas que aqui terão muito a dizer, quer relativamente a sua história, a sua evolução e toda sua influência social num povo que tem uma diversidade cultural enorme como é o nosso”, avançou.

Temáticas

O evento conta com três painéis que serão teóricos. Nesta sessão, o historiador e músico Carlos Lamartine abordará sobre o perfil histórico do Semba. Jomo Fortunato, crítico musical, falará sobre uma proposta de periodização da música popular angolana. E, depois, ter-se-á a intervenção do jornalista Analtino Santos que se propõe abordar o Semba como construção social. Para encerrar esta página, a professora Rosa Roque irá esclarecer o desenvolvimento e evolução do Semba No último painel, que será prático, far-se-á um exercício maior na distinção do Semba em relação a outros ritmos que se assemelham a este, mas que não o são na verdade. “Há quem tem a ideia errada de que basta cantar uma Rumba em kimbundu que passa a ser Semba. Muitos são os concursos musicais em que determinados artistas chegam a ganhar certos prémios enquanto intérpretes de Semba,quando de facto não é semba que fazem”, reforçou.

Em entrevista exclusiva a este jornal, aquando da elevação da Rebita a Património Cultural Imaterial, Cecília Gourgel, directora do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), garantiu que o Semba também será elevado futuramente a Património Cultural Imaterial. Sem precisar uma data, sob o pretexto da situação económico-financeira que o país atravessa, Cecília afirmou que tão logo se reúna a equipa multidisciplinar de etnomusicólogos, coreógrafos, historiadores e sociólogos, dar-seão início aos estudos. Por sua vez, o futuro estatuto do Semba visa mostrar, segundo a directora do INPC, a sua diferenciação enquanto género de música e dança em relação à Kizomba. Confrontada com este facto, Patrícia Faria disse que a elevação do Semba como património cultural traduz a nossa afi rmação cultural. “De resto, é essa a nossa convicção de que Angola tem tudo para que se possa firmar culturalmente. E o Semba é um ritmo representante desta riqueza cultural que o nosso país tem. E acredito que mais do que sonhar, nós podemos concretizar este intento”, aclarou.

O Semba Semba é um género de música e de dança tradicional de Angola que se tornou muito popular nos anos 50. A palavra Semba signifi ca umbigada em kimbundo. Numa tradução livre, a palavra Semba representa “o corpo do homem que entra em contacto com o corpo da mulher ao nível da barriga”.

O cantor Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do Semba situa-se na masemba (também denominada rebita), uma dança caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: o cavalheiro segura a dama pela cintura e puxa-a para si provocando um choque entre os dois.

Como explica, o semba (género musical), actual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, assentes fundamentalmente na percussão, o elemento base das culturas africanas.

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