Ngonda propõe pacto de unidade e reconciliaçao entre os irmãos

Depois de o Tribunal Constitucional ter declarado inválido o II Congresso Extraordinário da FNLA, agudizando a crise interna no partido, Lucas Ngonda quer criar um pacto de entendimento e reconciliação face aos próximos desafios políticos, com realce para as eleições autárquicas.

Maria Custódia

O porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, assegurou que a previsão para a realização de um congresso extraordinário aponta para a segunda quinzena de Outubro, uma vez que carecerá de análise dos membros do Comité Central, que se reunirá a 30 e 31 deste mês. Este mesmo encontro antevê a criaçao de uma comissão preparatória conjunta para a realização de um “congresso de unidade”, no seu verdadeiro sentido, ultrapassando todos os entreves que têm estado na base da crise interna prevalecente no partido.

“Estamos a ter conversações políticas com os nossos irmãos desavindos do partido, ligados a ala de Ngola Kabango, por intermédio do filho do presidente fundador, Carlito Roberto”, disse Makana, tendo acrescentado que o objectivo é assinarem um pacto de unidade e reconciliação interna visando os próximos desafios políticos.

“Estamos a trabalhar no sentido de criarmos um pacto de unidade e reconciliação interna em que  todas as partes poderão assinar o memorando de entendimento. Todas as resoluções saídas deste encontro deverão dar o passo para a realização de uma reunião alargada de unidade e reconciliação interna”, esclareceu. Acrescentou que um dos maiores desafios, para além das eleições gerais e autárquicas, passa pela unificação e estabilidade no seio do partido “dos irmãos”.

“A sociedade angolana vem implorando à FNLA que se efective num curto prazo este desiderato”, avançou. Nas três últimas reuniões já foram criadas algumas balizas para este pacto de entendimento com a criação de um memorando, disse. Aquele político entende que o processo de reconciliação interna está a surtir um efeito positivo a nível das estruturas de base, sobretudo nas províncias do Cuanza-Sul, Huíla, Huambo e Cuanza-Norte.

Em relação aos preprativos para as eleições autárquicas agendadas para o proximo ano, Jeronimo Makana, reconheceu algum atraso, resultante da crise interna que divide o partido em duas alas. “A FNLA só pode ter resultados satisfatórios no processo das autarquias se estiver unida”, observou.

Em Maio, o Tribunal Constitucional, no acórdão nº 543/2019 invalidou o congresso da FNLA realizado pelo líder do partido, Lucas Ngonda, na cidade do Huambo, decorrido de 25 a 27 de Junho de 2018. A decisão resultou de um pedido de impugnação do evento intentado na altura por altos dirigentes do partido que disseram ter sido o mesmo realizado à margem dos estatutos.

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