Ministro da Defesa no Dundo para avaliar a saída dos refugiados congoleses

As autoridades angolanas estão a fazer tudo em apoio aos refugiados da vizinha República do Congo estabelecidos em território angolano que, unilateralmente, decidiram abandonar o campo em que se encontravam alojados, anunciou ontem fonte próxima do processo

O  ministro da Defesa, Salviano Sequeira  está  na cidade do Dundo para onde se deslocou, de emergência, com o objectivo de, junto do governo  local, estudar as melhores formas de apoiar os refugiados congoleses que este fim de semana abandonaram o campo da reassentamento do Lóvua com destino à fronteira com a RDC.

À frente de uma delegação inter-ministerial, o governante disse, no Dundo que o objectivo do governo  é prestar apoio   ” especialmente às mulheres e às crianças”.

Salviano Sequeira anunciou que esta terça está prevista a chegada a Luanda de uma delegação congolesa  para, com as autoridades angolanas reavaliar o calendário  para a repatriamento voluntário dos  mais de 23 mil refugiados congoleses concentrados na província há dois anos.

Oito mil   refugiados estabelecidos no Lóvua a 150 quilómetros da cidade do Dundo, sede provincial, decidiram no Sábado rumar a pé em direcção ao centro político e administrativo da província.

Da cidade do Dundo, os refugiados partiriam, igualmente a pé, em direcção à fronteira com a República Democrática do Congo, num percurso entre mais 80 a 90 quilómetros. Segundo a mesma fonte, o Governo angolano está a “tentar negociar” com os refugiados que ainda se encontram no local de acolhimento, contabilizados em mais de 90 por cento do total. É intenção governamental demover os refugiados do regresso ao seu país sem que sejam criadas as mínimas condições logísticas de apoio à operação.

De resto, de cordo com a fonte da ANGOP, esta é a “recomendação” das partes envolvidas no processo, designadamente os governos de Angola e da RDC, e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Essas condições passam pela criação de condições mínimas de transporte, água e alimentos, de acordo, ainda, com a mesma fonte. A tensão em torno do assunto subiu de tom, uma vez que as autoridades da República Democrática do Congo continuam sem a concretização do seu compromisso público e oficial, em termos da recepção oficial dos mais de 20 mil refugiados congoleses estabelecidos em território angolano, mais precisamente no campo de Lóvua.

No dia 29 de Julho último, o Governo da República Democrática do Congo, na pessoa do governador da província do Kassai Central (RDC), Martin Mulamba, garantiu ter as condições criadas para acolher os cidadãos congoleses refugiados na localidade de Lóvua (Angola), desde Maio de 2017. Nessa altura, o governante congolês esteve em Angola para uma visita de trabalho de três dias, com a finalidade de tratar com as autoridades angolanas o processo de repatriamento dos refugiados da RDC. No final de um encontro que manteve com o governador da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, o visitante disse à imprensa serem falsas as alegações de que a RDC não oferece condições de segurança para acolher os mais de 20 mil refugiados assentados no acampamento do Lóvua. “O Congo tem condições para receber os nossos filhos a qualquer momento.

Por isso, viemos para (tentar) encontrar soluções urgentes e acelerar a reunião tripartida entre os governos de Angola e da RDC e o Alto Comissariado das Nações Unidades”, frisou. Segundo Martin Mulamba, os motivos da saída dos cidadãos congoleses do seu país estão ultrapassados, pelo que já podem regressar, para contribuírem para o desenvolvimento do seu território. A migração dos cidadãos congoleses para Angola derivou da violência extrema e generalizada, causada por tensões políticas e étnicas na RDC, em 2017.

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