Há 10 anos que as taxas de ocupação dos hotéis não chegam aos 90% no país

A indústria hoteleira angolana só conseguiu atingir o ponto alto em 2010, aquando da realização do Campeonato Africano das Nações (CAN), quando as taxas de ocupação dos hotéis rondaram os 90% e de lá para cá os níveis têm variado de 10 a 20% por cento

A revelação é do presidente da presidente da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) Armindo César, que considerou, falando a OPAÍS, o ano de 2010 como sendo o ponto mais alto da indústria hoteleira até ao momento. Segundo o responsável, que falava recentemente à imprensa, apenas cinco unidades hoteleiras no país atingem a taxa de ocupação que rondam aos 50%, nomeadamente, o hotel Epic Sana, HCTA, Trópico, Hotel Continental e o Hotel Presidente.

O dirigente associativo estima que houve uma redução “significativa”, saindo de uma taxa média de ocupação de 80% e 90%, em 2010, para 10% a 20 % em 2018-2019. Todavia, reconhece que a actual conjuntura económica que o país vive como sendo uma das maiores causas da presente situação. Lembrou ainda que na altura, os empresários do ramo tinham um plano de negócio muito optimista, uma vez que o acesso a divisas corria com maior facilidade, o que permitia comprar mobiliários em países como a China e a África do Sul.

“Nesta altura e, com a actual conjuntura, o processo é diferente, uma vez que os hotéis encontram- se com uma média de 10 a 20% de taxa de ocupação”, explicou. Salientou ainda que as mais de duas mil unidades hoteleiras existentes no país trabalham abaixo da sua capacidade. Actualmente, as províncias com maior índice das taxas de ocupação são as de Luanda, Benguela e Huíla.

De acordo com os dados compilados no Plano Director do Turismo, no que se refere à rede hoteleira, a província de Luanda destaca- se na oferta de alojamentos gerando assim cerca de 84% da receita, seguida da Huíla com 2,7% e Benguela com 3% . Quer no alojamento, quer na restauração, a oferta é mais elevada nas províncias do litoral do país.

Quanto à questão do turismo interno, disse ser um dos aspectos necessários, pois ainda continua em fase embrionária, uma vez que ainda temos necessidade de mudar a consciência dos angolanos . Garantiu que a maximização do turismo interno constitui uma das grandes preocupações do Executivo angolano, com o objectivo de desenvolver campanhas promocionais que despertam o interesse dos angolanos para disfrutarem dos recursos e belezas que o país oferece. Segundo dados, de 2009 a 2014 Angola registou um forte crescimento do sector, tendo atingido receitas que ultrapassavam os 45 mil milhões de kwanzas, criando cerca de 223 mil postos de trabalho.

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