Nós e o conhecimento

Quando foi anunciado o projecto do envio de jovens angolanos para as melhores universidades do mundo, eu cá comecei a ver montes de Angolanos a andar por Boston, Paris, Londres, Pequim, Tóquio, Berlin, etc.. a minha preocupaçãoo, e de muitos, era sobre o processo de selecção. Depois veio o balde de Água fria, os estudantes irão para as melhores seiscentas universidades do Mundo. Seiscentas, resta saber quais. Se calhar o nosso ensino não prepara os jovens para serem aprovados nas sessenta melhores. Quero ver para onde irão. Porém, a luta deve ser também para incluir universidades angolanas entre as seiscentas, e depois entre as trezentas, ao menos. O conhecimento é poder, embora aqui não se acredite muito nisso. Vejamos o investimento que se faz para conhecer um dos maiores parceiros comerciais de Angola, a China, nulo. As universidades não têm centros de estudos chineses, nem portugueses, nem europeus, nem americanos. O Centro Confúcio está quase parado porque os professores chineses não têm visto de entrada. Para estudos africanos vai-se aprender na Europa, temos algum especialista em assuntos e história sul-africana ou congolesa, os nossos vizinhos? Alguma universidade tem um centro de estudos virados para a SADC onde dizemos que somos uma potência? É estranha a forma como nos colocamos no mundo, com óculos de madeira e sujos de petróleo. E orgulhamonos de contratar consultores que nos vêm explicar, com livros que escreveram, como se vivia nas nossas aldeias no século XVI. Só quando acreditarmos no conhecimento e o democratizarmos poderemos caminhar para o futuro.

error: Content is protected !!