Sem paciência para deputados

Eu já estou a ver os deputados Lucas Ngonda e Alexandre André de calções colants, de licra, e de camisolas “parte os cornos” a levantar pesos, barras e a trabalhar as pantorrilhas no novo ginásio da Assembleia Nacional. Estou a vê-los todos “caenches” e saudáveis, vestidos de fatos de treino, nas plenárias. Aliás, mais simples, estou a vê-los a dispensar os Lexus e outras mordomias para chegarem ao parlamento a pé, em passo de corrida, ou de bicicleta. Eles são pela saúde física e mental por via de exercícios físicos. Em dois anos, a Assembleia Nacional poupa rios de dinheiro porque os nossos deputados terão um ginásio caríssimo, de uso obrigatório, com faltas não justificáveis para quem não se apresentar ou fizer mal os exercícios. Podem convidar o Bruno Samora para mestre.

E os nossos alfaiates e modistas passarão a ter muito trabalho para diminuir os tamanhos das roupas de deputados e deputadas, as barrigas do sedentarismo vão desaparecer, deles e delas, que aquilo é uma vergonha.

Estes dois deputados, eu vi-os na TV Zimbo a defender o “superginásio” da polémica, quase chamando de pacóvios os cidadãos que se indignam com a mordomia. Eles querem o ginásio porque já estava previsto no contrato da construção da sede do parlamento. E como aquilo é um bunker, eles vão querer o ar condicionado no máximo. Eu, dependendo do meu voto, quero-os fora do Parlamento e do alcance do nosso dinheiro. Insensíveis, se querem diminuir as adiposidades da fartura, mesmo havendo crianças a morrer à fome, que andem a pé, como nas aldeias em que cresceram alguns deles.

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