estudantes clamam por apoio para projecto de “medicina preventiva”

O mentor do projecto “Medicina Preventiva” almeja executar o programa a nível nacional, daí que procure por ajudas do estado angolano. o plano tem o apoio do Ministério da Saúde de Cuba e de especialistas interessados em ver o programa implementado

Projecto de “medicina preventiva” foi criado por Adão Francisco Luvunga, estudante angolano do 4º ano do curso de medicina da Universidade de Santiago, República de Cuba. A ideia surgiu por causa das dificuldades que o país encontra para ver controladas as doenças infecciosas.

O grupo de estudantes angolanos de medicina na província de Santiago, depois de apresentar o projecto na universidade, foi submetido a um curso intensivo de medicina preventiva durante três meses, com o objectivo de formarem os outros colegas que pretendam abraçar a causa.

Numa primeira fase, os futuros médicos almejam levar informações à população em geral, sobre conceitos básicos de saúde preventiva, das diferentes patologias infecciosas e crónicas que assolam o continente africano, sobretudo Angola. Dizem que necessitam do apoio do Estado no sentido de criar as condições para colocar em prática o projecto, que será implementado junto das comunidades e unidades sanitárias. “Actualmente, a nível nacional temos um sistema de saúde curativa, mas pensamos ser importante aplicar também o sistema preventivo. Porque só assim, quando a doença chegar o impacto não será tão forte ”, frisou, Adão Luvunga.

Ele acha que o povo angolano carece de educação para a saúde, e que todo o cidadão ligado ao sistema nacional de Saúde deve passar a informação a população, de forma a ensinar os cuidados a ter no seu meio para evitar determinadas patologias e que passos a seguir em caso de contágio. Infelizmente, a população não tem educação sobre a saúde, sobretudo no que toca ao saneamento básico, um dos grandes factores de risco das enfermidades infecciosas, disse. “A nossa população deita o lixo em qualquer lugar porque não há punição para o cidadão, nem condições para depositar o lixo”, lamentou.

De modo a inverter o quadro, Adão Luvunga solicita apoio ao Governo e acredita que, se não houver apoio das entidades governamentais, a sua associação não terá como desenvolver o projecto. Declarou ser necessário definir o sistema de Saúde implementado a nível nacional, pois como estudante de medicina aprendeu que o melhor sistema utilizado deve ser o preventivo, composto por três fases, primária, secundária e terciária. “Onde o paciente, antes de chegar às unidades de referência, passa por postos ou centros médicos e estes é que o devem encaminhar para os hospitais”.

Chorar no Banco de urgência

Reconheceu que os pacientes chegam às grandes unidades hospitalares, a maior parte deles, em estado avançado da doença. De forma a ter noção da realidade que se vive nos nossos hospitais, decidiu visitar uma unidade sanitária de referência. O entrevistado disse ter ficado abalado com o que viu no Banco de Urgências, em duas horas, e chegou a chorar.

Para ele, um doente que está no BU não pode ficar mais de uma hora à espera, já que, com esta demora, muitos chegam a morrer. Adão Luvunga defende que situações do género se registam em mais hospitais, por causa da falta de informação por parte dos cidadãos. Por exemplo, “em Cuba, a educação sobre saúde chega à população ainda no ensino primário, uma criança de oito anos sabe explicar o que é tensão arterial ou pode falar sobre o planeamento familiar”, mostrou.

Caso venham a ter o apoio do Estado, o projecto será disseminado para outros países africanos, visando a Organização de Saúde Africana, com o objectivo de velar pelo sistema de Saúde a nível do continente. Segundo o representante dos estudantes de medicina, os países africanos não têm centros de Saúde preventiva. Sobre a implementação do projecto, assegurou que os recursos humanos estão garantindos, tendo em conta que cerca de 100 jovens já terminaram a formação e chegam ao país no dia 26 do mês em curso.

Outros finalistas aguardam apenas pelo apoio do Estado para chegarem ao país e formarem outros estudantes na área de saúde preventiva. “Em Angola existem muitas doenças infecciosas, mas como não temos um sistema de Saúde bem estruturado funcionalmente, algumas passam despercebidas, mas a incidência é maior”. Outro objectivo dos estudantes é formar grupos de médicos que venham a acompanhar as famílias como “médico de família”. Fazem também parte do elenco docentes universitários, assim como estudantes de outras nacionalidades, designadamente Cuba, Brasil, Paraguai, Congo Democrático e Equador, entre outros, a reitora e a decana da universidade, o Ministério da Saúde de Cuba e outros especialistas no sector da Saúde.

Adão Luvunga é estudante bolseiro em Cuba, está em Angola de férias, mas tem os dias contados porque deve regressar para dar continuidade aos estudos. Ainda não conseguiu contactar as entidades de direito por questões burocráticas, o que o preocupa, já que os autores do projecto almejam, nos próximos meses, realizar uma conferência internacional para abordar o assunto.

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