Sobe para 10 o número de reclusos em fuga das cadeias

Em apenas um mês, seis reclusos passaram despercebidos pelos cordões de segurança das comarcas de Viana e Colomboloca, em Luanda, e Coboxa, no bengo. As ruas estão cada vez mais inseguras, segundo o sociólogo Carlos Conceição, que aponta os ajustes de contas como um dos perigos iminentes com a fuga dos presos

Agostinho Joaquim Adão, que cumpria 14 anos de prisão na Cadeia de Caboxa, condenado por crime de homicídio voluntário, foi o último recluso a fugir, por volta das 12h de Segunda-feira, 19, segundo um comunicado da delegação do Ministério do Interior (MININT) em Caxito. O comunicado a que o OPAÍS teve acesso indica que Agostinho Adão, preso n°98719 do referido estabelecimento prisional, ausentou-se da área dos aviários, seu local de trabalho, onde esteve enquadrado em trabalhos socialmente úteis. Na semana passada, outros três reclusos fugiram também da cadeia de Calomboloca, no município de Icolo e Bengo, em Luanda, perfazendo quatro o número de prófugos em menos de oito dias.

De Calomboloca fugiram Joaquim António Luís, de 22 anos, condenado a pena de 22 anos, por crime de roubo qualifi cado, Natalino Pedro Matomona e Paulo Augusto de Oliveira de 36 e 37 anos, respectivamente condenados nas penas de 18 anos e 12 anos e seis meses por homicídio e roubo. Calomboloca conta com 80 câmaras de vigilância, três blocos prisionais (cada bloco alberga 500 reclusos), totalizando mil e 500 presos, mas segundo os Serviços Prisionais, os presos terão escapado através de uma abertura feita, com uma serra, num gradeamento da cela. Viana lidera a lista No princípio deste mês, Nicolau Catxama, mais conhecido por Nico, de 30 anos de idade, condenado a 14 anos e sete meses de prisão pelo crime de roubo qualifi cado, bem como Jonas Makengo, mais conhecido por “Pê Jota”, de 22 anos, condenado a 14 anos e 6 meses de prisão por homicídio voluntário, foram os primeiros a fugir, no princípio deste mês, da Comarca de Viana. Os dois reclusos apenas tinham cumprido dois dos 14 anos a que foram condenados. Viana lidera a lista de reclusos foragidos desde o ano passado.

A primeira fuga foi em Fevereiro, na madrugada do dia 9, perpetrada pelos reclusos Bruno Bernardo Neto, de 18 anos, e o comparsa Alberto Mário Nádio, de 30 anos, que estavam internados, doentes, em tratamento de primeira fase de tuberculose. No mês de Maio do mesmo ano, mais dois reclusos no estabelecimento penitenciário de Viana foram dados como prófugos. Muzango Bunga, de 39 anos, Ricardo Mulunda, de 28 (que foi capturado momentos depois). Tanto Muzango Bunga quanto o comparsa Ricardo, foram sentenciados a dois anos de prisão efectiva por posse ilegal de arma de fogo e os dois já tinham cumprido metade da pena.

“A fuga de presos pode resultar em vingança social”

Para o sociólogo Carlos Conceição, as fugas constantes dos reclusos cria um sentimento de insegurança na população, uma vez que estas pessoas em confl ito com a lei podem causar instabilidade nas comunidades. “A população, ao aperceber-se que os marginais que deviam estar na cadeia estão à solta, viverá com medo ou com sentimento de insegurança, principalmente se for a pessoa que o denunciou”, disse o sociólogo, acrescentando que no nosso sistema judicial, de sigilo, é fraco e o denunciante acaba por ser conhecido pelo criminoso. esta prática, segundo o Carlos Conceição, pode resultar em vingança social e ajustes de contas pelo facto de os prófugos voltarem piores do que entraram e com sentimento de vingança, em muitos casos carregando armas de fogo. A fraca segurança das infra-estruturas prisionais, a ressocialização e a conivência dos efectivos são apontadas pelo também docente universitário como causas de fugas das cadeias do país.

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