Mais um dia desesperado

Por algum motivo o dia de ontem pode ser considerado, em termos sociais, como um dia triste, desesperado, um dia de cão. Foi a enterrar uma criança encontrada “misteriosamente” carbonizada em casa, um menino de apenas oito anos de idade que vivia no Zango, em Luanda. No Huambo, a notícia que se espalhou pelo mundo dizia que dois homens mataram à pancada uma anciã de cento e dez anos, na Calima, nos arredores da cidade. Nas suas cabeças, a culpa da velha era ser feiticeira, causadora de todas as desgraças nas nossas vidas. Do Moxico, outra tragédia, no Domingo suicidaram-se cinco pessoas, uma tendência em crescendo no Leste. Dois dos que se enforcaram eram tio e sobrinho. Um sociólogo diz que a crise económica é a culpada. Por exemplo, um dos suicidas pôs fi m à vida depois de uma discussão com a mãe do seu fi lho, por não ter como prestar alimentos em casa. Defi nitivamente, ontem foi o dia em que a morte saiu à rua, nas notícias e também fi sicamente, com a fuga de um condenado por homicídio da cadeia da Caboxa, no Bengo, um mais, já são necessários dedos das duas mãos para contar os evadidos perigosos de cadeias de Luanda e Bengo. Só por estas notícias e tudo o que envolvem, o dia de ontem seria bem melhor se não tivesse acontecido.

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