Cimeira quadripartida de Luanda reaproxima Ruanda e Uganda

A Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) reconheceu o papel de Angola na pacificação da região, tendo exortado o comprometimento dos Estados em manter a paz e o diálogo. A organização garante adaptar o memorando de Luanda para os próximos desafios

O Presidente da República, João Lourenço, disse ontem, em Luanda, ter sido dado um passo importante com a assinatura do memorando de entendimento de Luanda para colocar fim ao conflito que opõe o Rwanda ao Uganda. Na cimeira de Luanda, que voltou a juntar nesta Quarta-feira, 21, pela segunda vez em menos de um mês, Paul Kagame (Rwanda), Yoweri Museveni (Uganda), Félix Tchisekedi (RDC) e Dennis Sassou Nguessou (República do Congo), como convidado especial, o Presidente anfitrião considerou ter sido colocada uma pedra no conflito João Lourenço, na qualidade de principal patrocinador deste instrumento de entendimento entre o Uganda e o Rwanda, chamou a atenção aos seus subescritores no sentido de manifestarem vontade política para honrar o compromisso assumido. “Um simples acto de assinatura não representa o fim do conflito. É preciso vontade política de assumir o compromisso.

O mais importante são as acções”, aconselhou o estadista angolano. João Lourenço enalteceu as equipas técnicas neste processo de entendimento, cujo trabalho permitiu que ao Rwanda e ao Uganda ultrapassassem os seus diferendos. “Felicito as equipas técnicas que abraçaram o desafio, dando exemplo de que as disputas e os conflitos podem ser resolvidos por via do dialogo e por nós próprios” , disse, tendo atribuído o mérito desta conquista aos signatários dos acordos. Este encontro surge na sequência da Cimeira Quadripartida realizada a 12 de Julho, em Luanda, depois de entendimentos alcançados após diligências encetadas por Angola e coadjuvadas pela República Democrática do Congo(RDC). Entretanto, os Chefes de Estado desta cimeira reconheceram a região dos Grandes Lagos como sendo uma das mais conturbadas do continente, facto este que, embora serem ricos em recursos naturais, entrava o desenvolvimento das economias da região para o bem das suas populações.

Signatários prometem honrar acordos

O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, começou por felicitar Angola pela iniciativa de ultrapassar o conflito com o país vizinho, o Rwanda. Museveni destacou a partilha de opiniões como fundamental, uma vez que as visões sobre um mesmo assunto podem ser diferentes.

Referiu que, antes desta cimeira, já havia contactado algumas vezes o seu homólogo do Rwanda, na base dos princípios elementares que norteiam a União Africana(UA). “Somos todos uma família e é bom que vivamos em família”, disse, mas recusou pronunciarse sobre a reabertura da fronteira entre os dois países. Por sua vez, Paul Kagame agradeceu aos dois presidentes envolvidos neste processo, João Lourenço e Félix Tshisekedi, as quais considera ser um exemplo para o mundo no que tange à atitude e espírito de irmandade na resolução dos conflitos.

O Presidente rwandês disse não ser difícil o cumprimento dos acordos para o reatamento das relações entre os dois países, apesar de admitir que pode levar algum tempo para a sua efectivação. “Em trabalho conjunto podemos concretizar os acordos que acabamos de firmar”, disse Kagame.

Região dos Grande Lagos, das mais conturbadas

A região dos Grandes Lagos Africanos é das mais críticas, fruto de conflitos armados latentes que já duram há vários anos. Além da instabilidade na República Democrática do Congo, há outras zonas como os vizinhos Uganda e Rwanda que vivem em tensão depois de as forças armadas rwandesas fronteiriças actuarem com o pretexto de actividades de espionagem pelos ugandeses. Com base no que aconteceu no passado – nomeadamente o genocídio no Rwanda e a longa guerra na República Democrática do Congo, foi instituída sob os auspícios das Nações Unidas a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL). A actuação de Angola na esfera dos Grandes Lagos já tinha sido enaltecida em Maio pelo novo enviado especial das Nações Unidas para a região africana. Huang Xia pediu, na altura, ao Presidente de Angola, João Lourenço, que aumentasse a sua liderança na região. Ontem, Paulo Baladelli representante das Nações Unidas em Angola, disse que o país é um parceiro privilegiado das Nações Unidas em matérias de paz, segurança e estabilidade na região.

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