Governo “coabita” com Alassola na gestão da antiga África Têxtil

No âmbito da recuperação de empresas criadas com fundos públicos, o Instituto de Gestão de Activos e património do Estado (IGApE) nomeou Carlos Silva para administrador-delegado, que vai partilhar a gestão com a Alassola, actual exploradora da África Têxtil. Esta, por sua vez, promete recorrer da decisão

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

Oficiais de justiça do Tribunal da Comarca de Benguela procederam nesta Quarta-feira, 21, em Benguela, à entrega da antiga África Têxtil ao presidente do Conselho de Administração do IGAPE, Valter Barros, na qualidade de fiel depositário dos activos do Estado, na base de uma “carta aplicatória”, enviada pelo Tribunal de Luanda, que determina o arresto do imóvel, sob o olhar atento de magistrados da PGR.

Entretanto, contrariamente ao que ocorreu à Mahinajethu-Satec, localizada no Dondo, província do Cuanza-Norte, e à Nova Textang 2, em Luanda, em que o Estado recuperou na totalidade os activos, em Benguela, segundo justifica Valter Barros, o processo é completamente diferente, pelo facto de a fábrica estar a funcionar e devido aos atrasos salariais – que já somam 12 meses, segundo apurou OPAÍS junto de trabalhadores no local -, tivesse sido indicado um administrador de gado a quem caberá acompanhar e proteger os interesses do Estado.

De acordo com o responsável, a intenção do IGAPE, ao não parar a fábrica, é, fundamentalmente, para garantir a manutenção dos mais de 100 postos de trabalho. Desta feita, quando o tribunal encerrar o processo, decidir-seá o que fazer com a fábrica, avançando, neste sentido, para a privatização da unidade fabril.

Ao IGAPE, sustenta Valter Barros, cabe garantir a segurança e o funcionamento da fábrica, reconhecendo que, enquanto fiéis depositários, não dispõem de condições para manter a fábrica a funcionar. Questionado se com o modelo encontrado o Estado vai reaver o dinheiro perdido, o responsável refere que se o tribunal decidir, terminado esse período de gestão partilhada, a fábrica passa para a esfera jurídica do Estado e este, por sua vez, poderá alienála por via de um processo de privatizações. “O administrador está indicado por nós para garantir a manutenção da fábrica e vai proteger os interesses do Estado enquanto gestor da fábrica!”, esclareceu.

Em relação ao processo de privatizações no seu todo, Valter Barros adianta que o Estado “está, neste momento, a avaliar os activos em privatização”. A Alassola, como parte interessada, se entender, pode recorrer da decisão, segundo garantias do PCA do IGAPE. Numa curta declaração à imprensa, um dos membros de direcção da Alassola, Irochime Yamoto, disse que a Alassola não descarta um eventual recurso da decisão do tribunal

Passivos da África Têxtil

Confrontado pela imprensa sobre o caso do pagamento dos salários em atraso dos antigos operários, que se arrasta há anos, quando os decretos assinados pelo anterior Presidente República, em 2015, orientavam que o IGAPE recorresse ao Tesouro para fazer a liquidação da dívida, o responsável afirma que havia responsabilidade da Alassola de assumir o passivo e não o fez. “Em relação ao processo da África Têxtil, o representante que ficou com a gestão da fábrica tinha ficado com a responsabilidade de ressarcir os antigos trabalhadores”, defende-se

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