Lourenço nas nuvens

João Lourenço acaba de somar uma importante vitória diplomática com a assinatura em Luanda, ontem, de um tratado de entendimento pelos presidentes Paul Kagame, do Rwanda, e Yoweri Museveni, do Uganda, que que tinham chegado a “vias de facto” na fronteira entre os dois países. Confl ito armado signifi ca sempre mortes. E são mortes desnecessárias, Angola sabe disso, tem autoridade moral para apelar à paz. Aliás, o Rwanda também sabe disso, e o Uganda, que nas guerras que proliferam pela Região dos Grandes Lagos não passa pelos pingos da chuva sem se molhar. Todos os países da região têm na pele marcas sufi cientes para saberem que o confl ito armado não é o melhor caminho para resolver diferendos. Com a adesão à zona de comércio livre em África, com a abolição de vistos de entrada para cidadãos da SADC (já quase todos) e agora com este ponto marcado na Região dos Grandes Lagos, João Lourenço faz duas coisas importantes: preserva o papel de Angola como país importante na pacifi cação destas duas regiões; reforça consolida a sua imagem reformista como promotor da livre circulação e da livre iniciativa económica e ainda da democratização. Externamente, a imagem de Lourenço sai engrandecida. Aliás, o acordo entre o Rwanda e o Uganda é assinado numa altura em que o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, esteve nos Estados Unidos da América e, por feliz coincidência, uma entidade ligada ao Banco Mundial acabava de divulgar um relatório em que são elogiadas as medidas macroeconómicas do Governo Lourenço. Se não falarmos das dívidas, podese dizer que no capítulo de política externa, por estes dias João Lourenço pode sentir-se a dormir nas nuvens.

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