Moralização da sociedade começa no seio da família

“Como Envolver as Famílias na Moralização da Sociedade” foi tema de debate que ocorreu recentemente, na Rádio Ecclésia de Malanje, em torno da campanha do MpLA, lançada em Abril deste ano, que decorre sob o lema: “Combater a Corrupção, o Nepotismo, a bajulação e a Impunidade é Garantir um Futuro Melhor e bem-estar das Famílias Angolanas”, com a pretensão de mobilizar a sociedade angolana às boas práticas

Por: Miguel José, em Malanje

Os intervenientes ao debate advogaram a necessidade de um maior envolvimento de todas as forças vivas da sociedade a participarem, de forma activa, no processo de moralização da sociedade, no sentido transformarem as famílias em principais fontes geradoras da educação dos seus membros.

Em face da degradação moral de que a sociedade padece, o presidente da Rede de Pais, Lourenço Neto, invocou os camaradas do MPLA a incluir as instituições do Estado e as organizações sociais, cívicas e religiosas, no processo de moralização da sociedade, para que possam desempenhar um papel preponderante, reflectido nos valores sócio- culturais e tradicionais, de outrora. Pois, no seu entender, a moralização da sociedade deve estar instalada, permanente e persistentemente, no seio das famílias, para que venha se repercutir na sociedade. “Aí onde a família declina as suas responsabilidades, o Estado, enquanto pessoa de bem, assume o comando (…). Por isso, mais do que uma campanha, a moralização da sociedade é um dever de quem tem sobre si, a responsabilidade de dirigir o Estado”, enfatizou.

O padre coordenador da Comissão Arquidiocesana da Bíblia, Conceição Brandão, fez menção à cultura grega, em que “só quem fosse saudável, só quem tivesse vida uma equilibrada, poderia constituir família”, para argumentar que a moral da sociedade depende de cidadãos estáveis. Observou que a formação da sociedade angolana passa por imensas dificuldades, razão pela qual a ordem e a obediência das regras sociais andam à deriva. Contudo, o sacerdote católico entende que a escola, a igreja, são os lugares para colocarem o sentido da obediência, da humildade, e que podem garantir o envolvimento dos cidadãos no processo de moralização da sociedade. “A família é a primeira sociedade”, disse.

Moralização e religião

Desde os primórdios, o homem enquanto ser social, estabeleceu um conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do quotidiano, para orientar o seu comportamento dentro de determinada sociedade, Lourenço Neto, referiu que antigamente a salvaguarda da moral residia na educação cristã, cujo conteúdo se reflectia na esfera social, com vigor.

Recordou que os ensinamentos recebidos da religião eram passados como valores a observar no seio das famílias e com isso, os pais ou encarregados de educação orientavam os seus filhos ou tutelados, as respeitarem as regras de convivência familiar que, por conseguinte, se traduzia na sociedade organizada e saudável de outrora. “A moral religiosa, se for devidamente disseminada, pode ajudar na recuperação da educação – a boa educação – das famílias”, sublinhou.

O padre Conceição Brandão acredita na recuperação das famílias se aquelas igrejas tradicionais, seculares, como a católica, a metodista e a baptista, que sempre apregoaram o evangelho junto das comunidades, consistentes no amor ao próximo, no amor à pátria, na conservação e protecção do bem-comum, cujos ensinamentos recebidos do passado, estão imbuídos de valores cristãos. “Temos que voltar àqueles elementos que são básicos para uma sociedade”, acentuou o sacerdote.

Acrescentou que a sociedade precisa de herdeiros de valores para fazerem perpetuar o futuro, pois, por a vida ser efémera as pessoas devem deixar um legado para as gerações descendentes.

Apregoa a necessidade de as igrejas, enquanto detentoras da reserva moral da sociedade, os pastores, os sacerdotes, as próprias comunidades religiosas, devem transmitir valores decentes para a sociedade nas quais estão inseridas. “É preciso que os outros permaneçam connosco, sejam nossos herdeiros (…)”, exortou.

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