Trump cancela visita à Dinamarca após recusa em vender a Gronelândia

donald Trump cancelou a viagem a Copenhaga prevista para Setembro porque a Dinamarca disse não estar disponível para debater uma possível venda da Gronelândia

Mandatory Credit: Photo by Evan Vucci/AP/REX/Shutterstock (9896574k) President Donald Trump listens as he meets with Japanese Prime Minister Shinzo Abe at the Lotte New York Palace hotel during the United Nations General Assembly, in New York Trump, New York, USA - 26 Sep 2018

Um porta-voz da Casa Branca disse à agência de notícias France Presse que a visita do presidente dos Estados Unidos à Dinamarca prevista para 2 e 3 de Setembro “foi cancelada nesta fase”.

O mesmo anunciou Donald Trump no Twitter. “A Dinamarca é um país muito especial, com pessoas incríveis, mas, com os comentários da primeira- ministra Mette Frederiksen de que não teria interesse em discutir a compra da Gronelândia, vou adiar a nossa reunião programada para daqui a duas semanas para outro momento”, escreveu. A Casa Real dinamarquesa expressou “surpresa” face ao cancelamento num comentário escrito enviado à televisão pública e à classe política, que. por sua vez, também ficou “estupefacta”. “A realidade transcende a ficção (…) esse homem é imprevisível”, escreveu na rede social Twitter Martin Østergaard, líder da esquerda radical e membro da maioria parlamentar. “Sem qualquer motivo, Trump considera que parte do nosso país está à venda e, em seguida, cancela insultuosamente uma visita que todos estavam a preparar. Será que os Estados Unidos querem vender o Alasca?”, escreveu no Twitter o conservador Rasmus Jarlov.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou no Domingo as notícias que foram publicadas na semana passada sobre os planos dos Estados Unidos para comprar a Gronelândia, admitindo que a “ideia surgiu como conceito” apontado como “estrategicamente interessante”. Mesmo assim, Trump disse que se tratava de um assunto que não está no primeiro plano. No final da semana passada, a imprensa americana revelou que Donald Trump havia indagado sobre a possibilidade de os Estados Unidos comprarem a Groenlândia, um enorme território autónomo ligado à Dinamarca com cerca de 56 mil habitantes. Se esta ideia fez inicialmente algumas pessoas sorrir, esta última recuperação mostra, mais uma vez, a capacidade do 45.º presidente americano de quebrar os códigos da diplomacia tradicional.

O governo regional da Gronelândia já tinha dito que o “país não está à venda” referindo-se “aos rumores” sobre a alegada intenção de compra da ilha com dois milhões de quilómetros quadrados (80% do território está coberto por gelo) e que é habitada por 56 mil pessoas, na maior parte de etnia inuíte. A Gronelândia tem desde o referendo de 1979 estatuto de autonomia, com competências próprias excepto nas áreas de defesa, política externa e emissão de moeda, entre outras áreas, incluindo a impossibilidade de pedir o direito à auto-determinação.

Durante a ocupação da Dinamarca pela Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial (1939- 1945) os Estados Unidos tomaram posições na Gronelândia e após o final do conflito instalaram uma base área militar estrategicamente importante durante a Guerra Fria e que continua activa. No passado, os Estados Unidos tentaram várias vezes comprar a maior ilha do mundo, a última vez foi em 1946 através de uma iniciativa do Presidente Truman.

error: Content is protected !!