“Não gostaríamos de ver o país mergulhado novamente numa guerra”

Ossufo Momade, líder da resistência Nacional Moçambicana (renamo), o segundo maior partido político do país, esclareceu ontem, em entrevista à TV Zimbo (órgão do Grupo Media Nova, do qual OPAÍS faz parte), o momento que a sua agremiação vive com o surgimento da auto-proclamada Junta Militar. Os níveis de execução do Acordo Geral de Paz e de reconciliação Nacional recém-assinado e a desmobilização dos guerrilheiros também foram abordados

O senhor ainda se sente líder da Renamo?

Eu fui eleito no congresso de Janeiro. Não existe outro líder da Renamo a não ser o Ossufo Momade. Eu sou o presidente do partido Renamo. Fui eleito no congresso, por isso estou a trabalhar com os órgãos do partido. O partido tem os seus estatutos e os seus órgãos e são esses órgãos com que estou a trabalhar directamente como presidente do partido.

Têm sido feitas declarações, até certo ponto intimidatórias, por parte do líder da auto-proclamada Junta Militar da Renamo. Até que ponto essas declarações poderão beliscar o Acordo Geral de Paz com a Frelimo?

Meu irmão, o Acordo Geral de Paz foi testemunhado por vários líderes e presidentes africanos. Os moçambicanos são testemunhas desse acordo. Não pode existir nenhum grupo que possa fazer com que o Acordo Geral de Paz e de Reconciliação Nacional se torne inválido. O que estamos a fazer agora é trabalhar, apelando a população Moçambicana para que reine essa paz, a fim de que prevaleça para a toda a vida do nosso país. Porque nós não gostaríamos de ver o país mergulhado novamente numa guerra.

Mariano Nhongo reclama a reintegração de alguns militares da Renamo que terão ficado de fora do processo. Essa revindicação é legítima?

Eu gostaria que o senhor jornalista perguntasse ao Mariano Nhongo se o enquadramento ou integração já iniciou ou não. Porque ainda estamos no início do processo. É prematuro eu dizer que alguém ficou de fora. Ainda estamos no processo de identificarmos os possíveis locais de acantonamento. Onde serão acantonados e selecionados aqueles que vão para as forças policiais. Aqueles que não puderem ir para as forças policiais serão desmobilizados com uma desmobilização condigna para que regressem às suas aldeias e povoações com alguma dignidade. Não há espaço para alguém aparecer hoje a revindicar que está sendo excluído, por estarmos no início.

O senhor tem falado com Mariano Nhongo?

Nós somos africanos. Se existe um problema dentro da nossa casa resolvemos lá dentro. O Mariano Nhongo nunca me apresentou nenhum problema em relação àquilo que estou a acompanhar através da imprensa. Eu gostaria de falar com ele. Nunca me apresentou nada em relação à reintegração ou integração ou mesmo a desmobilização. Eu não sei quais são os problemas que o Mariano Nhongo tem. Ele deve vir ao Estado Maior apresentar os problemas que inquietam a ele e aos seus seguidores. Se existem. Eu sei que ele não tem seguidores.

Qual é a posição do Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em relação a essa situação que a Renamo está a viver? É difícil eu responder em nome do Presidente [Filipe] Nyusi.

Não tem falado com o Presidente Filipe Nyusi em relação a esse assunto?

Não gostaria que pudéssemos falar ou interpretar em nome do Presidente [Filipe] Nyusi. E a necessidade de saber qual é o pensamento do Presidente [Filipe] Nyusi seria da sua inteira responsabilidade. Que entrassem em contacto com ele. Eu estou a falar aquilo que é o meu posicionamento em relação a esse grupo.

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