Sinais

João Lourenço não terá a longevidade do poder do seu antecessor, isto é sabido, mas há coisas que levarão mais tempo do que os mandatos deles os dois juntos, e uma delas é o bailado nos bastidores. Neste mês de Agosto já li tantos sinais que me bastam: Lourenço vai ser isolado, se não se precaver. Pior, vai ser isolado e vai viver com “medo”, desconfi ado, o que abrirá espaço para a valsa de máscaras. De repente, o “Governo tecnocrata e jovem”, como foi elogiado no princípio (há dois anos)já é tudo um bouquet de incompetentes e maldosos disfarçados. De repente soam os alertas ao Presidente para ter em atenção as maquinações diabólicas dos seus ministros e secretários, de repente os projectos são aprovados sem anuência do Presidente, ou tendo sido este enganado. Pronto: de repente, o Presidente é o “rei-sol” e com os outros há que se ter mito cuidado. Foi assim com Eduardo dos Santos, que “sabia mais de política a dormir do que todos os ouros juntos”, que perdia tempo a desmantelar as traquinices dos seus auxiliares… que depois fi cou sem ter em quem confi ar. Porque depois talvez já poucos confi assem nele, entretanto empenhados cada um na empresa de edifi car o seu umbigo. É uma avalanche de textos e discursos, o Presidente, se não lhes dá ouvidos, ou se está com os seus, um sinal subtil de solidariedade seria bem-vindo, de certeza. Não que os homens não errem, mas daí ao isolamento do poder, e mais ainda em democracia… eu cá não faço alertas, vou só assistindo, comodamente, e, olha, faltam-me as pipocas, parece que a produção de milho baixou e não se importa fuba

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