A arder

A terra é um corpo único, a prova é o incêndio na Amazónia, no Brasil, que afecta o planeta inteiro. A preocupação deve ser mundial, é mundial. A Amazónia é o pulmão do mundo, a seguir a ela vem o Mayombe. Portanto, ardendo a Amazónia, além da biodiversidade que é afectada, também ficamos com menos oxigênio para respirar, sobem as cargas de dióxido de carbono na atmosfera e já nem é preciso falar do aquecimento global. Acontece que, estando no Brasil, a Amazónia não pode ser vista como património daquele país apenas, é de todos nós. Não há fronteiras na atmosfera, não há portas de entrada para o carbono no ar. Já ardeu um pouco mais do que toda a província do Moxico, esta é hora de se deixar para lá as diferenças políticas e os negacionismos ambientais, é hora de todo o mundo ajudar. Ajudar agora, para parar o fogo, ajudar a seguir para a reflorestação e recuperação dos ecossistemas e da biodiversidade, e para que cada um em sua casa faça o melhor possível em nome de toda a humanidade. Em Angola, é hora de se olhar com mais atenção para os fenómenos naturais, estamos a sentir dolorosamente os efeitos da alteração climática, mas e os nossos fogos? Continuo a achar demasiado estranho que ano após ano não tenhamos relatórios sobre incêndios e mata queimada. Estamos a fingir uma realidade que não temos, até apelarmos à solidariedade alheia por não termos feito o que deveríamos na altura certa.

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