África é campeã dos incêndios florestais

Por:Ricardo Cabral Fernandes

Não há dia em que alguma parte do planeta não arda e África é a campeã dos incêndios, diz a NASA. Acontecem várias vezes ao ano e em diferentes partes do continente e são, sobretudo, fogos agrícolas, com alguns a ficarem descontrolados.

Contribuem para fertilizar a Amazónia, a milhares de quilómetros de distância, com fósforo, dizem os especialistas, e até ajudam a arrefecer o planeta. Mas também contribuem para o efeito de estufa. O continente africano é vítima de 71% dos fogos globais, mesmo que pouca atenção lhe seja dada, diz a NASA. A maioria dos fogos acontece nas épocas secas, na esperança de se preparar o solo para a época da colheita. Há duas épocas distintas, derivadas do clima: entre Novembro e Março, na África subsariana, e Junho a Setembro, no Sul de África.

Os incêndios agrícolas, uma técnica antiga, continuam a ser usados pelos agricultores do continente por serem de baixo custo e tecnologia, com a maioria dos campos agrícolas a terem menos de 100 hectares, explica a NASA. No entanto, é difícil ter-se uma noção de quantos incêndios são ateados e a área ardida, dependendo muito da capacidade dos satélites e análise de imagens. Em 2016, por exemplo, arderam quatro milhões de km/2, segundo os autores de um estudo publicado na revista Remote Sensing of Environment, na edição de Março. “As cinzas produzidas dão ao solo recém-desmatado uma camada rica em nutrientes para ajudar a fertilizar as plantações”, continua a agência espacial norte-americana, sublinhando que muitas vezes os “fogos ateados para renovar campos agrícolas ficam fora de controlo por causa de ventos e tempestades”.

As respostas das autoridades são muito escassas, permitindo- lhes crescer e avançar com pouca resistência pela frente. Os incêndios são tantos e, por vezes, tão fortes que nuvens de fumo gigantescas se formam, impedindo a radiação solar de chegar ao solo, argumentou o cientista Xiaohong Liu, da Universidade do Wyoming, nos Estados Unidos, num artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences. As conclusões basearam-se em dados recolhidos pela Estação Espacial Internacional e em momento algum contradizem o facto de a nuvem de fumo ser prejudicial para o efeito de estufa. Algumas estimativas sugerem que as emissões de carbono podem exceder as 400 milhões de toneladas todos os anos, das quais 6.7 milhões são partículas microscópicas, escreveu o The Conversation. Entre estas, há 375 toneladas de partículas negras capazes de absorver a luz solar.

“Calcula-se que os incêndios contribuem entre 25 a 35% para as emissões anuais de gases de efeito de estufa”, afirma a NASA. Mas essas nuvens trazem consigo importantes nutrientes para que a Amazónia se regenere e cresça.

“O fumo da biomassa africana ardida era uma fonte muito importante não apenas de fósforo, mas de várias formas de fósforo já preparadas para processos biológicos”, explicou Cassandra Gaston, investigadora da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, ao NewsCientist. Os ventos atlânticos transportam as partículas de fumo, entre as quais fósforo, até à Amazónia, ajudando a fertilizá-la e influenciando a quantidade de dióxido de carbono que pode processar.

Contudo, a situação mudou neste Outono, quando se constatou que a circulação da poeira foi menor que nos anos anteriores, alerta Gaston. A especialista não avançou causas para esta situação

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