Deficientes auditivos e físicos continuam com dificuldades de acesso ao emprego

Com cerca de 50 filiados empregados no sector público e privado, António Miguel, presidente da Associação Nacional dos Estudantes Universitários Com Deficiência (ANEUD), acha o número bastante baixo. As pessoas com deficiências motora e auditiva ainda encontram muitas dificuldades para serem empregadas

A ANEUD tem mais pessoas com deficiências motoras (amputadas ou cadeirantes) em relação às sensoriais ou mentais, os que necessitam de usar cadeira de rodas e os deficientes auditivos são os que encontram maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

O que torna difícil para os deficientes auditivos é a comunicação no processo de candidatura, considerando que nem todos têm a possibilidade de adquirir aparelhos auditivos, “até porque é muito dispendioso e o Estado não tem políticas que facilitam o acesso a este meio”. Por isso, António Miguel apela ao Estado no sentido de promover mais abertura para que as pessoas com deficiência desenvolvam as suas capacidades, mostrem do que são capazes, assim como contribuam para o crescimento da Nação angolana.

É necessário, para o entrevistado, que se acate as responsabilidades assumidas a nível nacional, dada a lei criada para beneficiar as pessoas com deficiência, mas, infelizmente, não tem sido colocada em prática esta norma. “O índice de desemprego a nível do país é alto, entretanto, para as pessoas com deficiência é muito mais difícil. Apesar deste quadro, nós temos batido várias portas, sobretudo nas empresas privadas, no intuito de se conseguir vagas para os membros”, disse.

As estatísticas provisórias indicam que o número de deficientes empregados é muito baixo, considerando que a ANEUD tem apenas cerca de 50 membros empregados no sector público e privado. “Sempre que nos apercebemos de um algum concurso público, redigimos uma carta para comunicar que estão a concorrer no concurso pessoas com deficiência, e lembrar da lei que estabelece a reserva de vagas para pessoas com deficiência, um vez que o papel do Estado é promover a inclusão social e igualdade de oportunidades”, reforça.

António Miguel afirmou que ainda não tem a cifra exacta que determina o número de deficientes empregados no sector público ou privado. Para ver ultrapassada esta situação, ANEUD vai realizar um inquérito sobre a e empregabilidade de pessoas com deficiência a nível do país, a partir no mês de Setembro.

Actualmente, a associação trabalha na criação de uma base de dados de pessoas com deficiências, com o objectivo de apresentar relatórios de várias temáticas e junto do Estado discutir políticas credíveis de modo a que a situação de pessoas com deficiência seja melhorada.

O secretário da ANEUD, Miguel Matos, é de opinião que nos concursos para ingressos de novos funcionários públicos ou no privado deva haver um interpretador da língua gestual angolana, de modos a facilitar a pessoa com deficiência auditiva.

Por outra, os formulários de preenchimento das inscrições devem vir especificados de modo a facilitar no acto da estatística para auferir quantas pessoas com deficiência concorreram. A ANEUD conta com cerca de cinco mil associados, em nove províncias, designadamente Luanda, Huambo, Malanje, Bié, Cuanza- Norte, Bengo, Huíla, Cabinda e Uíge. Surgiu em 2014 com o objectivo de representar e defender os interesses dos estudantes e de modo geral das pessoas com deficiência, sendo o principal foco formar, capacitar e empregar os seus membros.

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