“Grito” de fome leva Governo de Benguela ao Kapilongo

O acentuado problema da seca, desembocando numa fome sem precedentes, na localidade do Kapilongo, município de Benguela, decorrente da falta de chuva, moveu uma equipa multissectorial do Governo Provincial de Benguela àquela localidade para levar bens diversos, de modo a minimizar carência da população

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

Mais de mil pessoas na localidade do Kapilongo, a 45 qui lómet ros do município de Benguela, debatem-se com o problema da fome e pedem às autoridades que se instale infra-estruturas essenciais básicas, como escola e posto sanitário, de entre outras. “Aqui só tem múcua. Para apanhar, temos de ir à mata e lá corremos muitos riscos, porque há bichos aqui”, diz Venâncio Kationgo, um nativo. “Estudei até à 6ª classe, agora estou parado”, lamenta, por sua vez, Tchinhama, Uma das infra-estruturas que deverá merecer das autoridades atenção especial, segundo garantia institucional, é a via de acesso ao Kapilongo, por apresentar uma imagem que não agrada a qualquer motorista que circule por lá, com a poeira e outros empecilhos a darem as boas-vindas a quem se digne a usá-la.

Dispersão populacional complica gestão

A julgar pelo facto de a população estar dispersa e localizada numa zona de transição, o Governo de Benguela estuda a possibilidade de aglomerá-la noutras localidades, de modo a facilitar a prestação de assistência social de forma pontual, na base dos seus instrumentos de gestão. De acordo com a vice-governadora para o sector Político, Social e Económico, Deolinda Valiangula, o Programa de Combate à Fome e à Pobreza prevê aglomeração de várias aldeias. “Temos aldeias bastante pequenas e dispersas, e isto implica muito o esforço para ajudá-las.

Estamos a trabalhar com os sobas”, esclarece, acreditando que, com a aglomeração que se pretende diminuir-se-á consideravelmente os custos de tratamento de problemas. Enquanto o programa avançado pelo Governo na pessoa de Deolinda Valiangula não se materializa, uma vez que precisará de suporte financeiro, a população local continua a alimentar a esperança em dias melhores e, como tal, clama por apoios de todos os segmentos sociais, a fim de excluírem a múcua e olonama da ementa diária de alimentação.

Pelas características climáticas, a única sementes que resistem e, timidamente, lançada à terra, é a de massambala, porém os agricultores se vêem impotentes para a compra de fertilizantes. Um especialista em matéria de ambiente ligado ao Governo provincial está céptico quanto à resolução pontual do problema da seca e, por conseguinte, a da fome na região. Para ele, que não se quis identificar, o clima do Kapilongo é semi- desértico, com uma vegetação escassa, fruto do stress hídrico (falta de água) e evidencia sinais de progressão do deserto do Namíbe para a Benguela, condicionando ainda mais a sobrevivên cia daquela população.

Ciente destas e de outras preocupações, na Quinta-feira, 22, uma delegação multissectorial do Governo provincial, encabeçada pela vice-governadora para o sector Político, Social e Económico, Deolinda Valiangula, procedeu à entrega de produtos diversos às autoridades tradicionais para consequente distribuição às famílias nas três aldeias, designa-damente Ukendi, Kahala e a própria sede do Kapilongo. Entretanto, os cidadãos esperam que o gesto das autoridades não fique por aí, por estarem a atravessar muitas dificuldades.

Além da falta de alimentos, a população local vê-se igualmente obrigada a consumir água com um nível de sal bastante elevado. Valiangula admite falha no projecto de dessalinização A vice-governadora para o sector para sector Político, Social e Económico, Deolinda Valiangula, admitiu que o primeiro projecto para dessalinização da água falhou. Face ao cenário, avançarse- á com um outro que se espera eficaz. “Todo o trabalho tem erros e nós estamos aqui para corrigir”, refere, para quem o estudo feito permitiu aferir que a tecnologia usada no primeiro ensaio não resultou por causa da “quantidade de sal que a água tem. É este trabalho que vamos fazer”, disse.

Em declarações à imprensa, o presidente do Conselho de Administração da Empresa de Águas e Saneamento de Benguela, engenheiro Jaime Alberto, confirmou tal facto, tendo, contudo, garantido estarem já definidas acções para dessalinização da água. “Foi montado um sistema para dessalinização da água, mas não funcionou em virtude de que foi concebido para tratar até mil quilogramas de teor de sal. Infelizmente, a qualidade de água aqui é superior a 4 mil.

Nós, a nível interno, estamos a trabalhar com a Administração no sentido de alterar este quadro ”, justificou. Recorde-se que, contrariamente ao que estava inicialmente previsto, de destinar as mais de 90 toneladas de produtos diversos doados por vários segmentos sociais às províncias do Cunene e Cuando Cubango, como noticiara o jornal OPAÍS recentemente, o Governo de Falcão decidiu retirar mais de 20 para acudir o Kapilongo, segunto apurou este jornal no local.

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