Calouste Gulbenkian encoraja professores do Moxico a disseminarem o PAT

Enquanto se aguarda pelo tão esperado PAT 2, os professores que beneficiaram das etapas de formação do Projecto Aprendizagem para Todos(PAT) deverão formar os outros cujas Zonas de Influências Pedagógicas(ZIP) não foram contempladas nessa era. O recado é da fundação acima descrita

A representante dessa organização, Maria Leonor Vieira de Sousa, recomendou aos professores dos municípios de Kamanongue, Luena, Léua e Cameia, província do Moxico, a serem verdadeiros transmissores e continuadores da formação que pretende dar aos docentes do ensino primário valências e competências para elevar a qualidade do ensino em Angola. Maria Leonor Vieira de Sousa, cuja missão se cingiu em avaliar como estava a decorrer a última formação das ZIP da referida região Leste do país, endereçou inicialmente o seu apreço aos docentes que se encontravam no ciclo formativo, tendo adiantado que os formandos actuais deviam consciencializar-se de que os subsídios que estão a receber são mesmo para transmitir ou partilhar com os colegas de outras escolas não contempladas pelo PAT.

“Aquilo que eu verifiquei de positivo é que as formações estão a ser muito participadas, ao ponto de haver nas turmas desses municípios, professores que frequentam o curso desde o seu início, em 2016, ou, pelo menos há dois anos, além de ir ao encontro do que se pretende”, disse, acrescentando que “ para que não morra a formação, é preciso dinamizá-la contínuamente nas ZIP, aproveitando os momentos em que os docentes primários estejam reunidos nas suas zonas de influência para consolidar, trocar experiências e utilizar as metodologias e os materiais que foram fornecidos durante as sessões formativas”. A representante da fundação da filial em Portugal asseguma insegurança nas salas de formação, uma postura actuamente contrariada com o ambiente adoptado pelos educadores, baseada no expressivo à vontade e orgulho positivo, conforme fez questão de realçar a interlocutora de O PAÍS.

Para a representante da Calouste Gulbenkian, os professores constituem uma mais-valia para as Zonas de Influência Pedagógicas, com intuito de promover a formação contínua, já que, de acordo com ela, os formandos estão em condições de assegurar a continuidade da acção formativa. Leonor de Sousa não deixou de manifestar a sua preocupação em relação aos professores que foram admitidos mais tarde para o sector da Educação por via do concurso público, que não

poassuem módulos de Português e Matemática. Criatividade na falta de meios A entrevistada deste jornal disse, entretanto, que, com o material que existe nos centros de recursos das Zip´s, os formandos já têm de ter criatividade para, quando faltar esses meios, produzi-los a partir dos já existentes e disponíveis”. Para ela, era preciso que se incentivasse a classe, bem como se reforçassem as trocas de experiência entre eles.

Quanto à questão do nível de linguagem contida nos manuais de apoio atribuidos aos formandos do Projecto Aprendizagem para Todos, pertecentes à ZIP do muicípio de Cameia, a representante da Fundação Calouste Gulbenkian informou que só registou essa queixa do colectivpo dessa municipalidade, que dista a mais de 60 quilómetros da sede provincial(Luena), ao ponto de colocar a possibilidade de se tratar de professores teoricamente com maior idade, se comparados com os de outras escolas anfitriãs por onde passou. Professores dizem-se prontos Com excepção de alguns professores que se escusaram de tecer quaisquer considerações sobre a continuidade do PAT, a maior parte dos que foram abordados por O PAÍS, nas Zip contempladas pelo Projecto Aprendizagem para Todos, nos municípios de Camanongue, Léua e Lumeje-Cameia, mostrou-se pronta a continuar com a missão, por via de partilha de conhecimentos e experiências com outros.

Adália Helena Jones, do primeiro município, disse que os subsídios que recebeu não teriam razão de ser se guardados apenas consigo. Do mesmo diapasão alinhou o seu colega Inocêncio Cumesso, para quem o dever dos que se formam por via do PAT é ajudar os outros professores das escolas não contempladas pelo projecto a prepararem bem as aulas, partilhando com os mesmos as metodologias apreendidas. À missionária Maria Margarida Inês Bartolomeu, da congregação das Irmãs do Santíssimo Salvador, há quatro anos como como coordenadora da ZIP local, preocupa a aquisição de meios de apoio, quando o compromisso dos docentes primários for efectivado, mas nem por isso arreda o pé, no que toca à vontade do seu colectivo de trabalho, já que é também directora da escola João Paulo II da sede municipal de Lumeje-Cameia. No Léua, o coordenador municipal da ZIP do PAT, Pedro Jamba, anunciou que ele e os seus colegas já começaram a ensaiar um exercício de disseminação, através de um encontro que denominam a fogueira do professor. É aí que trocam impressões e debatem como ultrapassar os obstáculos que a sala de aulas impõe.

Fases da formação

O processo de formação dos professores primários começou efectivamente no final de 2016. Em cada ciclo, há uma fase que comporta três etapas, sendo que a primeira acontece normalmente em Novembro de cada ano.

Neste mês, acontece a formação dos formadores das Escolas do Magistérios (E.M), portanto os 133 ou mais, quando o projecto envolvia certos facilitadores e, actualmente, inspectores. Em Janeiro, ocorre a formação dos 669 formadores das ZIP, os mesmos que estão responsabilizados a levarem a cabo a acção formativa dos períodos de pausa pedagógica que intercala um e outro trimestre, mormente nos meses de Maio e Agosto. Nos fins do primeiro e segundo trimestre acontece a formação dos professores mais 18 mil cujas ZIP´s estão contempladas pelo PAT. Em relação aos módulos já ministrados, apontam-se o de Língua Portuguesa, Matemática, Diferenciação pedagógica I e II, além do +de Educação Especial, com o qual se terminou a sessão encerrada, no último Sábado.

Extensão do PAT para 2021, “reforço”

Não são poucos os municípios das províncias do Huambo, Bié e Moxico onde a medida que resultou no alargamento temporal do Projecto Aprendizagem para Todos já começa a ser denominado de «Reforço». Aliás, uma das razões invocadas por dirigentes do PAT, quando questionados sobre tal, tem a ver com a necessidade de se consolidarem as formações, de modo a assegurar o alcance dos objectivos ora preconizados. O Conselho das Escolas das Zip, conhecido no referido ciclo formativo pelo acrónimo CEZ, constitui outro motivo que vem logo a seguir ao primeiro motivo. Por CEZ deve entender-se o Conselho das Escolas, recomendadamente compostas por um grupo de entidades com funções e poder de intervenção variados, ao ponto de agregar autoridades tradicionais e religiosas, polícia, coordenadores de bairro, enfim, encarregados de educação de extractos sociais diferenciados.

Ao CEZ também está entregue a responsabilidade de acompanhar, de forma teórica, o processo de formação dos professores das ZIP, observar o impacto desta na actuação dos professores nas salas de aula, bem como os resultados dos alunos. Segundo apurou O PAÍS de elementos afectos à gestão do PAT, essa comissão ainda não trabalha de forma cabal, porquanto, em alguns municípios terá começado tarde, sendo que noutros estão a formar-se agora, um indicativo que não afasta a possibilidade de inexistência em certas ZIP´s.

Finalmente, preocupam aos gestores as dificuldades de apreensão dos conteúdos dos módulos de Língua Portuguesa e Matemática, por parte de uma boa parte dos formandos das Zonas de Influência Pedagógicas contempladas pelo Projecto Aprendizagem para Todos, que frequentaram a primeira fase, em 2017 e de outros admitidos para o Ministério da Educação, nos últimos concursos públicos.

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