Japão vai ajudar na reabilitação do terminal mineiro do porto do Namibe

Mil e 500 novos postos de trabalho vão ser criados na província do Namibe com no âmbito da execução da obra de reabilitação do Terminal Mineiro de saco-Mar na cidade de Moçâmedes com financiamento japonês

O projecto, cujos trabalhos iniciam em Setembro, prevê ainda a construção de um novo terminal de contentores do Porto Comercial e tem como prazo de execução da empreitada três anos. Após a conclusão das obras, o Terminal Mineiro de Saco-Mar poderá exportar o minério de ferro das minas de Cassinga, situadas na Jamba, província da Huíla, gerar receitas e promover o emprego, quer no Porto, quer nas minas em desenvolvimento, sendo um dos planos mais importantes do Governo angolano. O Japão é um dos parceiros estratégico de Angola e tem reforçado a presença das suas empresas e financiado projectos em sectoreschave da economia, como o das telecomunicações.

É por estas e outras razões no ambito das relações inter-Estados que o Presidente de Angola, a frente de uma delegação do seu Executivo, realiza esta semana uma visita ao país do Sol Nascente. Actualmente, o país asiático tem como principais activos na cooperação económica e bilateral com Angola a reabilitação e a expansão do Porto do Namibe, a recuperação de três fábricas têxteis e o financiamento para o lançamento do cabo de fibra óptica.

O Japão, com financiamento do BIC, reabilitou, através da Marubeni, as três principais unidades têxteis do país: SATEC (Cuanza Norte), Alassola (Benguela) e Textang II (Luanda), no valor global de USD mil milhões.

Além desses sectores, o Japão tem desenvolvido, em Angola, vários projectos em áreas como desminagem, infra-estruturas, agricultura, educação e saúde. No âmbito das trocas comerciais, Angola importa daquele país mercadorias como veículos automóveis, aço, ferro e equipamentos, vendendo em troca, maioritariamente, petróleo e outras matériasprimas. Um dos principais investimentos do gigante asiático foi a reabilitação do Porto do Namibe, que começou em 2007, com uma doação de USD 40 milhões.

O financiamento foi um gesto de comprometimento com os pactos assumidos, no quadro da TICAD, em apoiar a construção de infraestruturas de qualidade em África. O Porto Comercial do Namibe é a principal porta de entrada e saída de mercadorias para o Sul do país e o terceiro maior de Angola, depois do de Luanda e do Lobito (Benguela), construídos há 62 anos. Na primeira fase de execução da modernização do Porto, foram reabilitados os primeiros 240 metros de cais, estando os mesmos, actualmente, em funcionamento nos termos de um contrato de concessão com a empresa Sogester.

O acordo entre os dois Governos contemplou a Empresa Portuária do Namibe com a reabilitação total do cais, com 480 metros de comprimento, dividido em duas fases. Os trabalhos da primeira fase foram concluídos em 2011. A segunda fase do projecto de modernização do Porto do Namibe, iniciada em 2018 e concluída a 5 de Maio último, resultou de um acordo de doação avaliado em cerca de USD 20 milhões, assinado a 27 de Fevereiro de 2017 entre a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e o Instituto Marítimo e Portuário de Angola (IMPA).

A finalidade do acordo foi contribuir para o arranque da segunda fase da empreitada. A par desses investimentos, o Japão voltou a mostrar o seu interesse no Porto do Namibe, ao anunciar, recentemente, que vai investir USD 600 milhões no projecto integrado de construção das infra-estruturas portuárias da Baía do Namibe. Para o efeito, foi já assinado um contrato entre a Toyota Tsusho e o Banco do Japão para a Cooperação Internacional (JBIC, na sigla inglesa), que prevê a atribuição de uma linha de crédito de 70 mil milhões de ienes (600 milhões de dólares), necessários para o projecto portuário lançado pelo Ministério dos Transportes de Angola.

Caberá à empresa Nippon Export and Investment Insurance (NEXI) assegurar esse projecto, que comporta a expansão do Terminal de Contentores do Porto do Namibe e a reabilitação do Terminal de Minérios de Saco-Mar. A empresa japonesa acredita que o projecto na bacia do Namibe, cuja conclusão está prevista para 2022, irá “reduzir a dependência de Angola do petróleo” e “reconstruir infra-estruturas afectadas pela guerra civil”.

O projecto contribuirá para a criação de empregos, revitalização económica do Sul e diversificação de indústrias, além de potenciar o Porto para se tornar numa janela para a importação e exportação de países do interior” e de África, através da linha ferroviária. O Chefe de Estado angolano justificou a sua opção com a “necessidade de se garantir a continuidade e a concretização do programa do Governo, no que tange à diversificação das fontes de financiamento para a execução de projectos inseridos no Programa de Investimento Público e de outros programas e projectos de interesse nacional enquadrados no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018 – 2022”. Desse valor, 400 milhões destinam- se à construção do novo terminal de contentores, com um cais de 288 metros, e 200 milhões para a recuperação do cais e Terminal Mineiro de Saco-Mar, a ser executado em 32 meses.

A Agência de Cooperação Internacional do Japão, JICA, tem promovido a cooperação do Governo com Angola, nos mais variados sectores, através do apoio financeiro, transferência de tecnologia e formação humana, nos domínios da educação, saúde, agricultura, indústria, energia e infra-estruturas. As relações políticas e diplomáticas entre Angola e o Japão foram estabelecidas em Setembro de 1976. As trocas de visitas de alto nível entre os dois países tiveram início no final dos anos 80.

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