Partidos aplaudem homenagem às vítimas de conflitos políticos

Os partidos políticos com assento na Assembleia Nacional consideram o plano Geral de Homenagens às Vitimas dos Conflitos politico como sendo um passo importante para o processo de reconciliação nacional

O porta-voz do MPLA, Albino Carlos, considera que a iniciativa do Presidente da República revela o caracter humanitário do líder, que se traduz no aprofundamento do processo de reconciliação nacional.

O político olha para a homenagem com algum sentido de tolerância, reconciliação nacional e a pacificação dos espíritos. Por seu turno, o maior partido da oposição, a UNITA, considera ser um passo importante, no sentido da estruturação de um diálogo mais profundo e abrangente. “É necessário para a construção dos alicerces e para a edificação da reconciliação nacional”, disse o porta-voz Alcides Sakala, tendo acrescentado que o ‘Galo Negro’ sempre se mostrou disponível a contribuir para tudo o que concorresse para a edificação da reconciliação nacional. Sakala acredita que será uma oportunidade para discutir sobre o passado e tirar algumas lições no sentido de se construir uma sociedade reconciliada, justa e reflectida na sua angolanidade.

Por seu lado, Alexandre Sebastião, da CASA-CE, disse estar consciente de que não será possível ressarcir todas as vítimas nem as famílias. Mas, acrescentou, permitirá a emissão de certidão de óbitos das vítimas para que os sobreviventes possam regularizar a sua situação como viúvas ou órfãos. O político espera que esta acção não seja apelo a “um fogo-de-artifício” e que seja de facto um reencontro das famílias. “Com este plano, o Governo vem precisamente buscar a aproximação das famílias, da nação e o fortalecimento do sentimento patriótico de todos sermos uníssonos pela mesma pátria que é Angola”, referiu André Sebastião.

Para o PRS, com esta acção, o Governo reconhece implicitamente que, ao longo dos anos, tem vindo a cometer atrocidades contra o seu próprio povo. Rui Miguel disse não compreender como é possível que até aos dias de hoje continuamos a assistir a situações que atentam à dignidade humana. Já o porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, defende que o processo não deveria se limitar apenas pelas homenagens, mas sim devia ter como ponto mais alto o reconhecimento dos erros protagonizados pelos três movimentos de libertação nacional. “Deveriam fazer uma declaração na forma de um pedido de perdão ao povo angolano pelos massacres que sofreram. O conflito interno foi a maior decepção que o país já teve, pois nos matámos a nós próprios”, disse o político.

Por outro lado, Jerónimo Makana defendeu ser preciso que se crie condições de se indemnizar as inúmeras famílias das vítimas, respeitar condignamente os antigos combatentes e enaltecer as pessoas que tanto combateram para o processo de libertação de Angola O Plano Geral de Homenagem às vítima dos conflitos políticos após independência, a ser apresentado hoje no parlamento angolano, foi criado em Abril por uma comissão orientada pelo Presidente da República. Além do coordenador, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, integra vários outros departamentos ministeriais e o Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE).

Na altura, o Presidente João Lourenço justificou a decisão como um “imperativo político e cívico do Estado” para “prestar condigna homenagem à memória de todos os cidadãos que tenham sido vítimas de actos de violência, resultantes dos conflitos políticos”. No decreto que cria a comissão, João Lourenço frisa que, para o “cabal desenvolvimento das suas atribuições”, a comissão deve consultar, dentre outras, instituições como os Ministérios das Relações Exteriores, da Família, Acção Social e Promoção da Mulher, da Saúde e da Cultura, bem como os partidos políticos com assento parlamentar, organizações religiosas reconhecidas como tal, organizações “idóneas” da sociedade civil e outras “cujo objecto social facilite o alcance dos seus fins”, refere-se no decreto.

Fundação 27 de Maio defende tratamento diferenciado

O presidente da Fundação 27 de Maio, silva Mateus, referiu que estão dispostos a cooperar com o Governo para que se resolva este assunto, mas que seja de forma honrosa, dignificante e com transparência. Recordou que o 27 de Maio foi um acontecimento diferente dos outros e merece um tratamento de forma particular, com destaque para a realização do ritual da comba, a construção de um monumento, cemitério e outros.

O sobrevivente silva Mateus espera ver as propostas que a sua fundação apresentou para a resolução deste processo e conduzam a que consideremos resolvido o problema sobre o funesto “Caso 27 de Maio”. Da referida proposta constam cinco pontos fundamentais imprescindíveis, com destaque, para além de um debate nacional à volta do 27 de Maio, para o enterro das suas vítimas (pelo menos as que estão localizadas) e a criação do monumento memorial. “Não vamos misturar os comandantes, que foram fuzilados no 27 de Maio, com as outras vítimas que morreram no conflito militar. Não podem aparecer todos no mesmo monumento”, advertiu.

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