A angústia de quem vê alimentos a deteriorar-se por falta de escoamento

Assistir impavidamente à deterioração por falta de escoamento dos bens alimentares que cultivaram com tanto sacrifício, é um dos martírios a que milhares de camponeses são obrigados a conviver. no município do tomboco, província do Zaire, os produtores aguardam, com angústia, pela resolução do problema

Contabilizam-se aos milhares as toneladas de produtos agrícolas que estragam ciclicamente no campo ou em casa dos camponeses que residem nesta localidade que dista a 150 quilómetros a oeste da cidade de Mbanza Congo, a capital da província.

A esperança tornou-se moribunda para muitos camponeses, apesar das constantes promessas de dias melhores que recebem de membros do Executivo. Muitos abandonaram os campos, outros continuam, mas o certo é que a produção reduziu. Em declarações a OPAÍS, os produtores afirmaram que não faz sentido continuar a cultivar grandes quantidades se existe uma enorme possibilidade de as mesmas não chegarem à mesa do consumidor final. Por esta razão, clamam pela reabilitação urgente das principais vias de acesso dos campos agrícolas para os centros urbanos para alavancar o desenvolvimento socioeconómico da região.

“Aqui, nós comemos aquilo que cultivamos e o que resta não conseguimos vender devido ao mauestado das vias”, disse Juliana João, uma das mais de 43 mil habitantes deste município, espalhados por três comunas, designadamente, Kinzau, Quinsimba e a Sede. Contou que as camponesas filiadas à Organização da Mulher Angolana (OMA), na qual faz parte, contavam com uma viatura para se deslocarem à lavra ou visitar os doentes. No entanto, a mesma encontra-se inoperante em consequência de um acidente que terá sido provocado pelo mau estado das vias de acesso. “Dificilmente chegam carros aqui porque a estrada está péssima”, revelou Ana João, de 26 anos. A título de exemplo, contou que para sair da localidade do Lufico ao Tomboco, um percurso de 75 quilómetros, são obrigados a andar de motorizada, o que faz com que haja carência de quase tudo um pouco. Noutras localidades, o asfalto, simplesmente, foi corrido pelo tempo por falta de trabalhos de manutenção. “Pedimos ao Estado que reabilite já a nossa estrada, cumprindo essa promessa que é bastante antiga.

Está a chegar o tempo de chuva e mais buracos teremos, algumas pontes ficaram inundadas e podem desabar a qualquer instante se não fizerem obras urgentes”, desabafou. Tomboco é famoso por causa de produtos agrícolas, como a banana, abacaxi, mandioca e produtos diversos. Além da agricultura, a pesca e a caça de animais selvagens são outras actividades desenvolvidas pelos seus habitantes. Juliana João disse que no município sede a situação tende a melhorar. Já beneficiam do serviço de energia eléctrica e água potável, o que os deixa bastante felizes, porém, com um misto de tristeza por existirem populações que não desfrutam do mesmo “privilégio”.

Muitos munícipes ainda utilizam água das cacimbas

A munícipe bibiana joão apontou a falta de água potável como sendo um dos grandes problemas que alguns munícipes enfrentam. Como alternativa, muitos consomem o precioso líquido retirado de cacimba. “temos chafariz, mas alguns bairros, como 4 de fevereiro, não há e os habitantes são obrigados a utilizar água das cacimbas e, por vezes, sem a tratar. isso trás muitas doenças diarreicas tanto aos adultos como as crianças”, contou. o taxista joão Eduardo, que faz luanda-tomboco, explicou que as vias de acesso encontram-se péssimas, principalmente no troço tomboco ao-noqui. E o povo sofre por falta de transporte. “nós, como taxistas, não aceitamos ir a essas localidades devido ao mau estado das vias.

E se aceitarmos o preço acaba sendo alto por causa dos danos que a viagem causas às viaturas. Com isso, muitas populações acabam sofrendo com a falta de transportes”, contou. joão Eduardo fez saber que as potencialidades deste município, bem como a reabilitação das estradas, vai certamente ajudar no escoamento da produção local. Alerta ao Executivo que as vias de comunicação em bom estado concorrem para o desenvolvimento de qualquer região e o combate à pobreza.

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