Angola tem mil e 220 áreas afectadas por minas

Pelo menos mil e 220 áreas do território angolano ainda estão afectadas com minas, com realce para as províncias do Cuando Cubango, Moxico, Cuanza-Sul e bié, segundo a Angop.

A informação foi avançada ontem Terçafeira, em Luanda, pelo chefe do gabinete de Intercâmbio e Cooperação da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH), Adriano Gonçalves.

O responsável falava à imprensa, à margem do Workshop sobre a Estratégia Nacional do Sector de Acção Contra as Minas em Angola, e afirmou que o país precisa de 300 milhões de dólares norte- americanos para estar livre de ções precárias, estradas esburacadas, a falta de energia eléctrica e a longa distância que as crianças percorrerem para estudar.

Diante deste cenário, Manuel Pembele denunciou que, a nível das empresas exploradoras, as acções de práticas positivas e os actos de responsabilidade social ainda são incipientes, situação que não contribui em nada para o bem-estar e na melhoria das condições de vida das populações. Exploração responsável Para se inverter o quadro, o responsável defende que o processo de exploração dos recursos naturais deve reconhecer a necessidade das comunidades. Para o efeito, frisou, a exploração deve ser feita de modo racional, respeitando as diferentes etapas de desenvolvimento do homem no sentido de o processo actual não vier a comprometer as gerações vindouras, sobretudo no que concerne ao esgotamento dos recursos não renováveis, disse. inúmeros problemas sociais, tendo destacado o consumo de água imprópria por parte da população, uma situação que tem acarretado inúmeras consequências de saúde nas populações locais.

Trata-se das doenças respiratórias às crianças e problemas na fase de gestação em algumas mulheres. Todos esses problemas, notou, surgem em consequência da inalação de partículas de zinco na água que as populações consomem. Outros dos dilemas que as regiões vivem, segundo ainda o activista, prende-se com o facto de as populações viverem em habitaminas até ao ano de 2025. A Declaração de Maputo de 2014 estipula o fim do problema das minas anti-pessoal até 2025 para todos os Estados, partes da Convenção de Ottawa, de que o nossopaís é também signatário. Adriano Gonçalves ressaltou que o aspecto mais importante do processo de desminagem é libertar o território angolano das áreas minadas. “Angola ainda não é um país livre de minas, temos áreas minadas e em grande quantidade com 105 milhões de metros quadrados afectados”, vincou.

O responsável indicou que, em 2007 o país tinha três mil e 600 áreas minadas e, actualmente, tem apenas mil e 220. Disse, igualmente, haver províncias que praticamente estão livre de minas, nomeadamente Malanje, Namibe e Huambo. Está em curso um trabalho de reverificação nessas regiões levado a cabo pelas equipas de controlo de qualidade. Referiu que as áreas só podem ser consideradas livres de minas quando os seus operadores forem capazes de apresentar um certificado de controlo de qualidade passado pelo órgão reitor, a Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária.

O responsável lamentou, entretanto, que nos últimos 10 anos os apoios para a área de desminagem em Angola têm estado a decrescer consideravelmente. Angola é parte da Convenção de Otawa desde 2003.

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