Dezassete meses de salário em atrasos na morgue de Cacuaco sem previsões de pagamento

O director da morgue da Cacuaco, pedro Simão de oliveira, disse a opAíS que não sabe precisar quando serão pagos os 17 meses de salário em dívida com os 31 trabalhadores daquela instituição. Mas diz que reconhece a dificuldade por que passam e os esforços que a administração local faz para liquidar esta dívida

Os funcionários da morgue de Cacuaco, em Luanda, estão sem receber os seus ordenados há 17 meses, pelo facto de esta instituição não ter uma verba no OGE e depender das receitas arrecadadas na prestação de serviços diários. Esta dependência tem contribuído para que um total de 31 funcionários, com a excepção do director, fiquem sem a remuneração e passem por várias privações.

A taxa de conservação é de 1720Kz, um valor insignificante para suportar as despesas correntes, segundo o director Pedro Simão de Oliveira, que obrigou a que fosse celebrado um acordo entre a administração municipal cessante e os trabalhadores, no sentido de esta ir pagando alguns salários dentro das suas possibilidades. Agora, há dificuldade por parte da administração em cumprir com o seu compromisso devido à falta de verba. “Isso tem criado transtornos e insatisfação nos trabalhadores, que várias vezes manifestaram o seu descontentamento. Não posso confirmar se os salários serão pagos todos no próximo mês, mas o que posso dizer é que esforços estão a ser feitos no sentido de regularizar a situação”, disse. Aquele responsável também não confirma se os funcionários todos nesta situação serão enquadrados no Estado, tal como se cogita, mas espera que realmente isso se efective, de forma a se evitar que voltem a viver estas limitações salariais.

O director é o único funcionário público efectivo, pelo que já conta na folha de salário do Estado e não está com salário em atraso. Entretanto, compreende a situação dura por que passam os seus funcionários e tenta, dia pós dia, acalmá-los e dar incentivos na crença de dias melhores. Uma esperança que está mais para a morte do que para a vida Há muito tempo que os funcionários da morgue de Cacuaco esperam por dias melhores, como o enquadramento na função pública, como fez saber uma cidadã que preferiu o anonimato.

Lembra que houve uma vez que lhes foram pedidos documentos, assinaram algumas papeladas para que este enquadramento acontecesse, no ano antepassado, mas nada se efectivou. Alguns colegas seus que estavam a fazer o ensino superior desistiram de estudar, de tanta dívida na escola, resultante dos atrasos salariais. Outros colegas, para conseguirem dinheiro de táxi para deslocarem-se ao trabalho, têm de mendigar ou pedir uma taxa extra aos familiares do malogrado. “O salário já é baixo, nós ganhamos 35mil, e o trabalho é grande, mas mesmo assim atrasa. É difícil, nós trabalharmos porque não temos para onde ir. Estão a ouvir que no próximo mês vão pagar de uma vez. Vamos esperar”, disse um outro funcionário. Este funcionário trabalha há quatro anos naquela instituição, nunca registou situações do género. Hoje, apesar de receber 300Kz por dia para pegar táxi e ir ao trabalho, todos os dias tem de preocupar- se com o que os filhos vão comer e como vai pagar a escola deles. “Antes, com o administrador Cavukila, não tínhamos este problema. Desde que este novo administrador municipal veio ficámos a saber que não têm dinheiro para nos pagar e estamos assim há 17 meses”, reforçou.

A morgue em questão tem quatro câmaras, apenas funcionam três (cada com 12 gavetas). Para além dessas quatro, receberam mais quatro que vieram do Hospital Municipal. Por enquanto, pela demanda que têm, este número satisfaz, porque, segundo o director pedro Simão, hoje o Estado está a investir na Saúde, o que tem diminuído o número de mortalidade. A morgue municipal de Cacuaco foi inaugurada em 2012, mas por questões técnicas apenas entrou em funcionamento aos 3 de Março de 2015. A morgue recebe corpos que vêm de Viana, Sambizanga, Cazenga, Quiçama, para além do município em que se encontra: Cacuaco.

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