“Baía Farta” zarpa hoje em primeira missão nos mares de Angola

Lançamento do navio “Baia Farta” ao mar, o fim da veda a pesca do carapau e um cenário animado por golfinhos chegados do Tombua marcam o arranque da Feira da Pesca e Aquicultura que Luanda acolhe desde hoje

A entrada em actividade do Navio Oceanográfico de Investigação Científica baptizado com o nome de “Baia Farta”, realizando sua primeira missão nos mares de Angola, é um dos marcos inaugurais da Feira da Pesca e Aquicultura que a capital angolana acolhe de hoje ao 1º de Setembro, nas instalações do Porto Pesqueiro da Boavista, em Luanda.

O evento, para além de proporcionar “negócios e debates”, oferece um incomum “espectáculo de golfinhos”, animais que foram especialmente capturados no município do Tombua, no Namibe, e trazidos para Luanda de avião para se exibirem numa atracção lúdica especialmente para crianças e não só. Os animais, conhecidos no mundo inteiro pelas suas acrobacias e dom natural de oferecerem espetáculos, viajaram do extremo Sul de Angola à capital Angola de avião e está assegurada a sua devolução ao habitat logo depois do final da feira, segundo garantias do director Nacional das Pescas, António Barradas. A outra “boa notícia” do primeiro dia da Feira da Pesca é o fim da veda a pesca do carapau e entrada em serviço a partir de hoje de embarcações de arrasto que pela sua capacidade poderão nos próximos dias aumentar os níveis de oferta desta espécie ao mercado nacional.

Segundo António Barradas, não obstante a pressão do passado resultante da pesca desregrada realizadanos mares angolanos ter reduzido significativamente os índices da fauna marinha, a situação tende e melhorar e agora a ciência, através da investigação a realizar pelo navio “Baía Farta”, vai dar respostas reais e permitir uma pesca parcimoniosa a bem das gerações de hoje e as vindouras. O fórum já tem inscritos 100 expositores nacionais, entre instituições públicas e bancárias, pescadores, armadores e empresários do sector, e decorrerá na infra-estrutura da empresa PESKUANZA, nas imediações da Petrangol. Do estrangeiro já chegaram representações da Namíbia, China, Brasil, Noruega e Portugal e aguardava- se por confirmação da chegada da África do Sul e do Ghana, outros dois países que aceitaram o convite formulado pela organização. O director Nacional das Pescas, António Barradas, garante que está “tudo pronto” para o arranque do certame, que inscreve na sua agenda uma série de debates em torno de quatro grandes painéis. A Investigação e Gestão das Pescas em Angola, Aquicultura, Segurança dos Alimentos e Responsabilidade Social e Clima de Negócio do Sector das Pescas são os temas mestres que animam os debates do evento. Segundo estimativas, para uma população de cerca de 30 milhões de habitantes e tomando como referência as médias indicadas por organismos das Nações Unidas, Angola precisaria de mais de 600 mil toneladas para “responder de forma cabal às necessidades de consumo”.

Todavia, de acordo com as capturas admissíveis em obediência às regras de gestão equilibrada dos recursos marinhos, o país captura entre duzentas a 300 mil toneladas/ano. “O fosso existente entre o que se captura e o que é necessário para responder as médias recomendadas pela FAO tem sido colmatado com a importação, a pesca continental e a piscicultura”, eslareceu António Barradas

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