Escritor e nacionalista Wanhenga Xitu completaria hoje 95 anos

O escritor, político e nacionalista Agostinho André Mendes de Carvalho “Wanhenga Xitu”, se estivesse vivo completaria hoje 95 anos de idade. Em Fevereiro de 2014 deixou o mundo dos vivos. Do portal electrónico da união dos Escritores Angolanos de que era membro, retiramos excertos do manancial do seu percurso

Romancista, Uan h e n – ga Xitu é o nome Kimbundu de Ag o s t inho André Mendes de Carvalho. Fez curso de enfermagem, profi ssão que exerceu durante muitos anos. Como enfermeiro, deslocou- se por todo o país. Também fez o curso de Ciências Políticas na Alemanha.

Em 1959, foi preso e considerado participante no “Processo dos 50”. Enviado para o Tarrafal, Uanhenga Xitu lá permaneceu, de 1962 a 1970. Após a independência, foi membro do Conselho da Revolução, Comissário (Governador) da Província de Luanda, Ministro da Saúde de Angola e Embaixador de Angola na República da Polónia. Foi deputado na Assembleia Nacional, pela bancada do MPLA, partido do qual fez parte, tendo sido, inclusive, membro do seu Comité Central até 1998. É considerado um Poeta da Geração 70, a Geração do Silêncio.

Foi na cadeia, em companhia de António Cardoso e de António Jacinto, que Uanhenga Xitu começou a escrever os seus primeiros contos. É membro da União dos Escritores Angolanos, que recentemente o homenageou, pela sua inquestionável importância dentro do cenário literário angolano. Crítica Literária Os Discursos de Mestre Tamoda é, talvez, a sua obra mais importante e a mais reeditada. A respeito deste livro, o próprio autor nos diz: A obra publicada de Mestre Tamoda, como algumas vezes expliquei aos leitores, foi escrita na cadeia, onde a vigilância e busca dos guardas e da parte de outras entidades prisionais era constante.

Eu e outros companheiros vimos confi scados, além da correspondência familiar e documentos, trabalhos literários de grande valor que nunca mais recuperámos e, para voltar a reproduzi-los tal e qual, será difícil. Ainda sobre a referida obra, Luís Kandjimbo, um dos mais importantes críticos literários angolanos, escreveu: Tamoda, simbolizando, o mimetismo cabotino, é uma personagem típica do mundo que através da exibição de maneirismos expõe à hilaridade o uso da língua portuguesa perante uma audiência de jovens e crianças, transformando- se em modelo, no que diz respeito ao emprego e manipulação de vocabulários portugueses…

Na qualidade de escritor com um envolvimento directo na actividade política, pois é deputado à Assembleia Nacional, na sua bibliografi a destacam – se ‘O Ministro’ e ‘Cultos Especiais” duas obras consagradas à crítica social, ao culto à personalidade e a outros comportamentos dos políticos.

Obras

Dr Nacionalista faleceu a 13 de Fevereiro de 2014 1974 – Meu Discurso. 1974 – Mestre tamoda. 1974 – bola Com Feitiço. 1974 – Manana. 1976 – vozes na Sanzala – Kahitu. 1980 – os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem. 1984 – os Discursos de Mestre tamoda. 1989 – o Ministro. 1997 – Cultos Especiais. 2002 – os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem

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