Manifestações contra má governação e desemprego podem cobrir o país todo

Caso não haja soluções práticas, Miguel nhoca, membro da comissão organizadora das manifestações, adiantou que o grupo vai estender os protestos para outras 13 províncias, de forma a chamar a atenção do poder político para a necessidade da melhoria das condições de vida dos cidadãos

Os jovens manifestantes que, no último final de semana, saíram às ruas de cinco províncias, para protestarem contra o desemprego e a má governação, não descartam a possibilidade de estenderem as manifestações em todas as províncias do país, caso não haja, da parte do Executivo, uma resposta prática relativamente às políticas de emprego e a boa governação.

Segundo os jovens manifestantes, o foco dos protestos centra-se no rigoroso cumprimento dos 500 mil postos de emprego prometidos pelo Presidente da República, João Lourenço, bem como a execução de um programa de governação que realmente tenha respaldo na melhoria das condições de vida dos cidadãos, sobretudo no domínio da saúde, educação, habitação condigna, combate à corrupção e o nepotismo.

Enquanto não houver o cumprimento dessas premissas políticas, Miguel Nhoca, membro da comissão organizativa, disse ontem a OPAÍS que as manifestações vão prosseguir até que o Executivo repense no modelo de governação mais efi caz que venha de facto resolver os problemas das populações no âmbito do “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, como faz referência o programa de governação do partido MPLA sufragado nas eleições de 2017. O actvista político, que ontem, fazia o balanço das manifestações ocorridas durante o fi nal de semana, fez saber que o acto decorreu em cinco das 18 províncias, a destacar Luanda, Benguela, Uíje, Cuanza-Norte, Bengo e Malanje, tendo como motivação a alta taxa de desemprego e a má governação que enferma o país.

Todavia, caso não haja soluções práticas, Miguel Nhoca adiantou que o grupo vai estender os protestos para outras restantes 13 províncias, de maneira a chamar a atenção do poder politico para a necessidade da melhoria das condições de vidas dos cidadãos. “Só estamos a exigir o que nos foi prometido.

O Presidente João Lourenço, aquando da sua entrada no poder, prometeu boa governação e a criação dos 500 mil postos de trabalho. Mas até agora não estamos a ver nada de melhoria. E assim é complicado. Por esse motivo é que estamos a empreender a nossa luta”, frisou. A nossa luta é colectiva. Relativamente ao exercício das manifestações nas províncias de Luanda, Benguela, Uíje, Cuanza- norte, Bengo e Malanje, Miguel Nhoca disse que a participação em massa dos cidadãos foi um dos aspectos a destacar na hora de balanço.

Frisou ainda a forma ordeira como os participantes reagiram à atitude da Policia Nacional que, sobretudo em Luanda, onde agiu com violência no fi nal da actividade. Tal como explicou, a manifestação fi cou marcada com ferimentos ligeiros de alguns manifestantes, atitude protagonizada por elementos da força da ordem que, no decorrer da actividade, fizeram de tudo para que o protesto não avançasse até perto de 100 metros do Palácio Presidencial, como ficou acordado com as autoridades de Luanda no acto de requisição da actividade. Contudo, apesar da atitude das autoridades, Miguel Nhoca assegurou que o grupo vai continuar a desenvolver as suas actividades em prol da justiça social, para garantir uma maior qualidade de vida aos cidadãos mais vulneráveis.

“A nossa luta é colectiva. Não vamos parar enquanto não houver o cumprimento rigoroso das promessas. O propósito final do poder político é de resolver o problema dos cidadãos. Infelizmente, a nossa política doméstica é muito gananciosa. É toda virada para os bolsos dos políticos, enquanto os cidadãos continuam na pobreza extrema”, concluiu.

 

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