É na rua mesmo

É oficial, diriam os adolescentes, a justiça faz-se na rua. Até a das instituições do Estado. Está assustador. Das duas uma, ou o abjectivo era estragar o processo todo, porque isto também é possível, porque dá argumentos à defesa e simpatias populares e até expõe eventuais fragilidades da acusação, que até um leigo nota, ou a ideia é a do castigo público, aquele que além do visado ou arguido, atinge também a sua família e amigos. Golpe na honra. Neste momento, o deputado Manuel Rabelais está já em julgamento, em todas as casas deste país. E com a atmosfera política que vivemos, e mais ainda na sequência das sentenças no caso CNC, não o condenar, se houver pronúncia e julgamento, seria uma “traição” ao povo. O povo quer sangue, a crise leva a este estado de alma. Alguém vazou a acusação completa nas redes sociais. Nem sequer a um órgão de informação, que poderia trabalhar o conteúdo. O objectivo com que foi feito só se consegue se o documento viralizar, é como os tribunais e execuções na idade média, no meio da praça. E com a esquebra de ainda surgirem no documento referências ao Presidente José Eduardo dos Santos. Mas este caminho é perigoso. Este tipo de espectáculo, com a turba agitada, pode ser difícil de terminar, e muitas vezes só acaba com a população a invadir e a destruir o palco. Lamentavelmente, se calhar uma vez mais ficaremos sem os devidos esclarecimentos da PGR e do Tribunal Supremo. Da Assembleia Nacional e do Grupo Parlamentar do MPLA já seria pedir demasiado.

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