Políticos propõem Mendes de Carvalho como ensaio para reconciliação nacional

A dimensão politica e cultural de Mendes de Carvalho juntou diferentes personalidades, ontem, na cerimónia de homenagem que teve lugar na Vila de Catete. O acto é discrito pela classe politica e sociedade civil como um sinal claro de reconcialiação, que coloca a Nação acima das diferenças partidárias

Por:Domingos Bento

Os políticos angolanos consideram que a vida do nacionalista, Mendes de Carvalho, que esta semana completaria 95 anos, é um verdadeiro ensaio para se alcançar a efectiva reconciliação nacional. Dentre as figuras políticas presentes na cerimónia de homenagem na pequena vila de Catete, esteve o líder da UNITA, Isaías Samakuva. Em exclusivo a OPAÍS, o presidente dos “maninhos” disse que Mendes de Carvalho “é uma figura que ultrapassa a dimensão político-partidária”, segundo ele, por reunir consenso, quer do ponto de vista politico, quer como fazedor de cultura.

“Pela sua dimensão e valor patriótico, Mendes de Carvalho representa um modelo para reunir os angolanos de forma a caminharem juntos no verdadeiro caminho da reconciliação nacional” destacou o político, para quem a contínuidade da divulgação dos seus feitos e da sua obra, em prol da afirmação da democracia, deve ser uma tarefa permanente. “Estamos aqui todos para brindar e prestigiar os feitos de Mendes de Carvalho na construção do nosso país e na afirmação dos valores patrióticos que devem estar acima de qualquer outro interesse”, disse Samakuva, tendo aconselhado a pautar por esse espirito de honrar todos aqueles que contribuíram para que todos hoje pudessem viver no nosso próprio país, mesmo que ainda enfrentemos muitos desafios.

Por seu lado, o nacionalista Lopo do Nascimento defende a necessidade de “os angolanos continuarem a olhar para Mendes de Carvalho como uma figura que pode contribuir para o processo de estabilidade e harmonização nacional em função da sua verticalidade, transversalidade e abertura”. Correligionário no MPLA, Lopo do Nascimento considera que, apesar de ter pertencido ao mesmo partido, Mendes de Carvalho lidava com todos os segmentos da sociedade, sem descriminaçao por uns serem da UNITA, FNLA ou de qualquer outro partido. Lopo explicou que a abertura daquele nacionalista era incompreendida por boa parte das lideranças políticas da época, sobretudo no período da luta pela Independência Nacional.

O antigo primeiro ministro reconhece, apesar do tempo, o valor patriótico de Mendes de Carvalho, razão pela qual defende a divulgação dos seus feitos para as gerações vindouras compreenderem os meadros da luta pela conquista da liberdade e a necessidade da sua preservação. O politico lembrou-se do ano de 1958, altura em que conheceu “Uanhenga Xitu” e o episódio de maltratos e subjugação colonial, no âmbito do processo dos 50. “O homem não baixou a guarda e soube sempre defender os valores mais sublimes da angolanidade”, disse. “Era impressionante o ‘chip’ aglutinador que o homem tinha. Foi um homem de integração, de encontros e de unidade.

Com o seu espirito patriótico, conseguia reunir os angolanos, independentemente da cor partidária e da origem, sobretudo nos anos difíceis quando lutávamos para a nossa independência. É preciso saber honrar a memória deste ilustre filho de Angola”, referiu. Já o antigo embaixador de Angola junto das Nações Unidades, Ismael Martins, alinhou no mesmo diapasão, considerando esta figura como um verdadeiro símbolo do patriotismo, da unidade e da fraternidade. Para ele, existe a necessidade de se apegar aos seus ensinamentos e exemplos para desenvolver Angola, os valores perdidos e torná-la num país que orgulhe a todos. “É uma figura transversal.

A questão do seu reconhecimento não deve ser apenas da fundação que o representa ou dos filhos, mas sobretudo do país. Mas, infelizmente, às vezes ficamos demasiado ocupados com outras questões do país e esquecemos esta grande figura. É hora de horarmos e imortalizarmos os seus feitos”, conclui Ismael Martins. Apesar de ter falecido em 2014, a figura do escritor e nacionalista continua a reunir consenso, a julgar pelo seu importante papel na luta pela independência nacional e na afirmação do patriotismo angolano. A homegem contou com a presença de várias personalidades, com destaque para os líderes de partidos políticos com e sem assento no parlamento, membros da sociedade civil e também fazedores de Cultura.

 

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