Valas de irrigação da Ecunha vão ser reabilitadas

Quarenta e dois quilómetros de valas de irrigação vão ser reabilitados, este ano, pela Administração do município da Ecunha, a 30 quilómetros da cidade do Huambo

Ao anunciar o facto Segunda-feira, à Angop, o administrador deste município, Emitério Tiago, informou que a acção visa recuperar as áreas agrícolas abandonadas por dificuldade de água para irrigar as culturas.

Do total de valas a reabilitar, segundo o gestor do Ecunha, 27 quilómetros estão em aldeias da comuna do Quipeio e vão beneficiar, pelo menos, 100 famílias, cujas parcelas de terra situam-se próximo dos cursos de água. Após a conclusão destes 42 quilómetros de vala, já identificados, a Administração poderá proceder à abertura de novos canais de irrigação, aproveitando os vários declives que este município possui.

Com a reabilitação das valas de irrigação e a abertura de outras, acções constantes no programa integrado de desenvolvimento, a administração local espera ver aumentadas as áreas de cultivo e incentivar a produção em grande escala de hortaliças.

O município da Ecunha, Vila Flor na época colonial, é o primeiro no país a produzir batatarena por irrigação, feito que lhe valeu, até aos dias de hoje, o título de “capital e rainha da batatarena” em Angola, por ter um ciclo de produção deste tubérculo ao longo do ano. Segundo o seu administrador, diariamente partem desta localidade, com destino à capital do país (Luanda), 50 toneladas de batata-rena em média, sendo que entre os meses de Janeiro e Fevereiro esta quantidade elevase para 65 a 70 toneladas por dia.

Emitério Tiago afirmou que o cultivo em grande escala da batata- rena no município é influenciado por questões culturais, ao sublinhar que, por muito tempo, era a única cultura local. “A produção da batata-rena é indissociável aos munícipes desta localidade, desde a época colonial.

Outras culturas, como o milho por exemplo, foram introduzidas muito mais tarde”, justificou. Em relação ao escoamento, o administrador do município disse não haver problemas, dando a conhecer, inclusive, que parte da produção é comprada ainda no terreno, meses antes da fase de colheita. Apontou as zonas montanhosas, pela facilidade de abertura de canais de irrigação artesanais, como sendo as que lideram o cultivo da batata- rena, lamentando, porém, a degeneração das sementes, por falta de técnicas melhoradas de conservação da sua capacidade produtiva.

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