Antes na rua…

Cento e vinte casos de crianças perdidas e outras que preferiram abandonar o lar familiar para viver nas ruas, foram registados no município de Viana durante o primeiro semestre deste ano pela Direcção Municipal de Viana da Acção Social, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria. É caso para o Estado tomar medidas importantes, estudando antes as razões de tais abandonos. Cento e vinte num só semestre é muito.

A notícia foi veiculada ontem pela Angop, sobre estes casos, mostrando que as famílias estão mal, mas também que talvez se deva abandonar a retórica sobre o resgate de valores. Há famílias que nunca os tiveram, há famílias para as quais a vida em Angola nunca permitiu ter valor algum. Não os perderam, andam a tentar tê-los pela primeira vez. Estas crianças, que depois crescem sub-nutridas, não educadas, endurecidas pela vida e pela falta de carinho, não por terem fugido dele ou por os pais se negarem a dar-lhes, mas porque carinho é coisa desconhecida para muita gente, terão, de uma forma ou de outra, influência na vida do país no futuro.

A questão não está na possibilidade de se tornarem delinquentes ou um peso para o sistema de segurança social, a questão está nos valores que nunca apreenderão, na capacidade de aprender que se perde, na insociabilidade, na incapacidade de se tornarem cidadãos de pleno direito e contribuidores para o bem do país. Mas para já, ante a escuridão que é a sua vida, elas preferem estar na rua. E, sim, o Estado tem responsabilidade e deve assumir casos desses

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