Klaus Novais celebra herança cultural africana com cores, danças, paisagens e personagens no CCBA

A mostra intitulada “É de Lá”, reúne 50 quadros de pintura criados no decorrer de duas décadas, privilegiando cores e elementos de grande conteúdo simbólico de três continentes e, ao mesmo tempo, celebra a herança cultural africana: danças, paisagens, personagens de Angola e da diáspora

Cinquenta obras de pintura compõem a exposição “É de Lá” do pintor, desenhador e ilustrador brasileiro Klaus Novais,patente ao público no Centro Cultural Brasil-Angola até 29 de Setembro. A exposição, com entrada gratuita, reúne imagens de três continentes e celebra a herança cultural africana: cores, danças, paisagens, personagens de Angola e da diáspora dos povos africanos.

As 50 obras, criadas no decorrer de duas décadas, privilegiam cores e elementos de grande conteúdo simbólico. Utilizando materiais tão diversos como tela, papelão e filtros de café, por meio de técnicas mistas inspiradas nas artes populares, do Naïf e do Kitsch. Com os pincéis, Klaus Novais convida o público apreciador das artes plásticas a uma viagem pelo seu estilo figurativo próprio e profundamente autoral, traçando pontes entre realidades distintas. Um dos destaques desta exposição é a sessão dedicada à Cultura afro-peruana, revelando aspectos ainda pouco conhecidos da diáspora africana no Oceano Pacífico e guardando inesperadas conexões de ancestralidade com Angola.

A exposição “É de Lá” convida a uma viagem pelo universo do artista, que veio a tornar-se para sempre e inexoravelmente de lá, de cá e de toda parte. A série tem por base a exposição “Ojos Negros”, realizada em 2018 no salão principal do Ministério da Cultura do Peru, uma dignidade raramente concedida a um artista estrangeiro. Reforçadas pelo seu próprio desenraizamento, as pinturas e os desenhos apresentados representam o que vem de fora, do estrangeiro, mas que, mesmo separados pelo espaço e pelo tempo, integram e formam sociedades tão distintas.

O artista

Klaus Novais, nascido em 1969 em São Paulo (Brasil), é pintor e ilustrador. Fez a sua primeira exposição em 1987, no Teatro Jardel Filho, inspirado no musical HAIR. Fascinado pelo Teatro, Klaus estudou interpretação com a actriz e directora Miriam Muniz, exercendo profissionalmente o ofício de actor entre 1989 e 2004. Paralelamente a isso, criou cenografias, figurinos, adereços, cartazes e artes gráficas, além das exposições As Poderosas do Riso (1991), Natureza Viva (2000), Alma Paulista (2004/coletiva) e Alma Viva (2007).

Entre os anos de 2000 e 2010, dedicou-se à banda desenhada, em parceria com o cartunista Sérgio de Toledo, criando a série Mundinhos e as exposições Mundinhos em Charges (2003) e Humor Tamanho Família (2005). Em 2006 mudou-se para Brasília, onde viveu 5 anos e licenciouse em Letras. Em 2011, mudou-se para Lisboa, onde cursou a pósgraduação em Multiculturalismo, na Universidade de Lisboa.

Em Portugal, publicou o romance Escritos Degredados (Chiado/ 2014). Em 2014, mudou-se para Lima, capital do Peru, onde criou Ojos Negros-Una Exposición dedicada a la Cultura Afroperuana (2017-2018). Em 2018, mudou- se para Luanda, onde desenvolve a exposição É de Lá (2019).

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