Novo Governo italiano avança com apoio dos militantes do 5 Estrelas

Os militantes do Movimento 5 Estrelas (M5E), de Luigi di Maio, aprovaram numa votação online o acordo do Governo com o antigo rival, Partido Democrático (PD), que afasta a hipótese de eleições antecipadas e deixa de fora a Liga de Matteo Salvini. 79,3% dos eleitores registados votaram “sim”, frente aos 20,7% que votaram “não”

Problemas técnicos atrasaram a divulgação dos resultados durante quase uma hora. As consultas internas do Movimento 5 Estrelas decorrem na Internet, através de uma plataforma apelidada Rousseau.

Até às 16.00 (15.00 em Lisboa) já tinham votado 73 mil pessoas – há 115 372 inscritos -, o que representava “um recorde mundial” de participação num ato de democracia directa (segundo o partido). Em Maio de 2019, noutra votação, participaram pouco mais de 56 mil eleitores. Agora foram quase 80 mil. O voto começou às 09.00 locais (08.00) e terminou às 18.00 (17.00) e muitos militantes queixaram-se nas redes sociais de problemas para votar, com vários media a questionar a segurança deste tipo de votações. “Tenho muito orgulho do voto de hoje e muito orgulho do Governo que aí vem”, disse Di Maio, apelidando a votação de “plebiscitária”.

O Movimento 5 Estrelas nasceu há uma década, precisamente para fazer oposição ao PD, mas agora concordou fazer parte de um Governo com o antigo rival para evitar umas eleições antecipadas após o colapso da anterior coligação, com a Liga, de extrema-direita. “Resolvemos a crise com um método novo, transparente, que permitiu a participação dos cidadãos. Até o programa está definido, há muitas soluções para as empresas, para os cidadãos; o que parámos foram as ameaças, os incendiários.

O M5E garantiu a estabilidade deste país, pusemos um travão à irresponsabilidade”, acrescentou, a comentar os resultados. A irresponsabilidade de que se fala é a do líder da Liga, que provocou a crise institucional ao deixar de apoiar o Governo de coligação entre M5E e Liga. “Esta é uma oportunidade única, uma hipótese de sonhar, para um Governo de mudança”, tinha dito o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, apelando aos militantes do Movimento 5 Estrelas que votassem a favor do acordo. Há 26 pontos no programa de Governo, sendo que 20 são propostas do partido de Luigi di Maio. Conte apresentou a sua demissão no dia em que o Governo ia ser sujeito a uma moção de censura, promovida por Salvini — cuja popularidade estava em alta e que se queixava de que o parceiro de Governo, o M5E, estava a bloquear a capacidade do executivo de empreender as medidas necessárias.

Mas o Presidente Sergio Mattarella convidou- o novamente a formar Governo, após as consultas aos partidos e diante da possibilidade de um acordo entre o M5E e o PD (que até então sempre rejeitara tal aliança) para afastar Salvini do Governo. O líder da Liga já reagiu ao resultado: “O Governo das poltronas dura pouco, não podem escapar à votação para sempre. Com a cabeça levantada, pronto a defender os italianos e voltar a vencer! Honra e dignidade valem mais do que cem ministérios”, escreveu no Twitter. Um resultado positivo significa o aprovar do acordo de governo com o Partido Democrático (centro-esquerda), liderado por Nicola Zingaretti mas onde o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi ainda tem força.

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