Homicidas de criança de cinco meses no Cazenga confessam assalto

A Polícia nacional apresentou ontem, em Luanda, os cidadãos supostamente implicados na morte de uma criança de cinco meses de idade durante um assalto a uma residência, no município do Cazenga

Os seis acusados pertencem a dois grupos marginais denominados “Os seis mais” e “Os reis da Mabor ‘’, que actuavam, em conjunto, nos bairros dos distritos 11 de Novembro e Kimakieza, no município do Cazenga. Lito Januário Barrote, também conhecido por Galinha, disse que na noite de 30 de Agosto, quando assassinaram a criança, ele e os seus comparsas assaltaram a residência dos pais da vítima para roubar telefones, dinheiro e electrodomésticos.

Ao se retirarem, Galinha, que diz ter 19 anos, pai de dois filhos, contou que um dos seus colegas efectou o disparo que atingiu a criança. Segundo contou, o disparo gerou desentendimento no seio da quadrilha e decidiram dividir na mesma noite tudo o que retiraram da residência, como uma tela, uma botija de gás, quatro telemóveis e um colchão.

“Naquela noite todos nós estávamos drogados. O meu amigo disse que o langa não queria dar o dinheiro”, referiu o jovem. O facto ocorreu Domingo, no bairro da Mabor, distrito urbano do Kimakieza, quando quatro homens armados invadiram a residência dos pais da vítima.

“A arma recebemos de um polícia”

Questionado sobre como conseguiram a arma, Galinha contou que foi por via de um assalto que teve como vítima um agente da ordem. “Recebemos de um polícia dias antes, às 4h quando, ele se dirigia ao trabalho”, disse, acrescentando que não sabe quantos vezes já esteve detido.

Para além da arma levaram também o fardamento e o passe de identificação do polícia. O comandante municipal da Polícia Nacional no Cazenga, subcomissário João Kariki, disse que as primeiras detenções foram possíveis devido à colaboração da comunidade. “A detenção é fruto de um trabalho aturado e com as informações dadas pela comunidade chegamos até a estes indivíduos”. Disse que os marginais já possuem passagens pela Polícia e assegura que a corporação, no Cazenga, está empenhada no sentido de capturar os restantes integrantes dos grupos. No total, a Polícia Nacional deteve 39 cidadãos acusados de pertencerem a diversos grupos de marginais que se dedicavam aos crimes de roubo, assaltos a mão-armada e homicídios.

Luanda com mais de 300 homicídios

Importa referir que a província de Luanda, no primeiro semestre do corrente ano, segundo dados da Polícia Nacional, registou 323 homicídios voluntários e 389 violações sexuais, entre outros, num universo de 12.617 crimes. Com o enquadramento da Operação Reforço, uma operação que visa, dentre outros aspectos, elevar e intensificar o patrulhamento ostensivo e de baixa visibilidade nos territórios críticos com o reforço provenientes dos órgãos de subordinação central, o Comando provincial da Polícia Nacional em Luanda registou, num semestre, 12.617 crimes.

A ênfase é dada aos crimes de homicídio voluntário (323), violação sexual (389), ofensas corporais (1.345) e roubos qualificados (595). A corporação realça que 82% dos homicídios voluntários resultou da resistência ao intento dos meliantes nos roubos. Foram roubadas 323 viaturas, 131 arma de fogo, 457 motociclos. Foram furtadas 123 viaturas, 441 acessórios de viatura e 19 cabos eléctricos. Segundo o intendente Hermenegildo Brito, porta-voz da PN em Luanda, os crimes de roubo e furto estão associados à proliferação de mercados informais para o comércio de artigos 2ª mão, sendo que estes artigos têm receptadores com canais de escoamento bastante expeditos que lhes proporcionam elevados ganhos sem riscos. DR seu suplemento diário de lazer e cultura CARTAz

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