Silêncio incompreensível

Presidentes do Ghana e da Nigéria, várias personalidades africanas começam, finalmente, a levantar a voz contra a barbárie de alguns sul-africanos e contra o silêncio aparentemente cúmplice do seu Governo. Aliás, no plano político interno, apenas Julyus Malema se tinha pronunciado em termos fortes, em Março deste ano. É inadmissível o que está a acontecer, sul-africanos de tez negra a chacinar migrantes negros, apenas por serem estrangeiros. Mas apenas negros. Começam os africanos a questionar se valeu a pena verter sangue e sofrer guerras para libertar os sulafricanos do apartheid, se foi para isso que muitos países atrasaram o seu próprio desenvolvimento em nome da solidariedade africana e dos direitos humanos. De Angola, talvez o país que mais sofreu pela causa dos sul-africanos, infelizmente ainda não surgiu uma só palavra ofi cial. Haverá algum receio? É pela amizade ao Governo da África do Sul? Ou se trata de uma amnésia sobre o passado e sobre os angolanos que vivem na África do Sul? Os africanos, seja qual for a sua nacionalidade, que estão a ser assassinados naquele país, não contam? Não merecem o nosso protesto? Se a África não se levantar, o Governo Ramaphosa não agirá como deve, e o risco de retaliações adensa- se.

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