A esperança também morre

A esperança é a última a morrer, e é assim que deve ser. Mas, para viver, ela tem de ser alimentada. Angola sofreu imenso com a guerra e os angolanos se mantiveram aqui, fi rmes, até alguns terem começado a emigrar quando perceberam que a parte justa da guerra tinha sido subvertida, que ela própria, a guerra, estava, afi nal, a encarreirar alguns para um futuro abastado e a maioria para a desgraça total, para a destruição, isto nos dois lados da barricada. Mas partiram com a esperança no futuro, foi um “até já, não estou a sair”. E voltaram. Agora, a caminho de duas décadas de paz, há gente a fazer outra vez a mala e a ir embora. Muita. Que faz falta a este país. E dos que não vão, muitos gostariam de o fazer. A esperança não está a ser alimentada. Alguns dos que abalam já tinham lá estado. Regressaram a Angola com fé num sistemas de ensino para os fi lhos que não desata. Nas escolas públicas os governantes não põem os fi lhos e netos, nas privadas há um assalto aos bolsos das famílias a que o Governo assiste impávido, cúmplice. Ficar doente signifi ca dívidas e desacertos orçamentais da família. E como se adoece aqui! Aqui sofre-se como no palco de uma tragédia e o Governo assiste da platéia, sem pagar a entrada como prémio aos actores nestes dois sectores, uma inversão cómica. Para quem se vai embora a esperança morreu, talvez velha, mas morreu. E ela morre depressa, sem passagem pelo coma. Por isso, desistem com dois anos de novo Governo, não vêm uma nova Angola no futuro próximo.

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