Casas de Leitura para promoção da cultura uma aposta da “Associação Muzangala”

“Livrus Ponto Com” é o nome de uma casa de leitura, de acesso gratuito, e que servirá de palco para promoção da cultura nacional. A Associação Muzangala pretende espalhar espaços similares um pouco por todo o país

Por:Adjelson Coimbra

Nasceu recentemente, no “coração” da cidade de Luanda , Mutamba, precisamente na rua Amílcar Cabral, a casa de leitura “Livrus Ponto Com”, uma iniciativa da Associação Muzangala, em nome dos ff condena é o desprezo de que a mesma tem vindo a ser alvo. Entretanto, a sua irmã, Júlia Mbumba, sente-se ainda irrealizada, pois pretende espalhar um “canto” como esse pelas 17 restantes províncias de Angola.

O espaço

Dentro do espaço, o utente é recebido por uma sala que “respira” Angola, com uma decoração feita com um dos panos mais identitários do povo angolano: Samakaka. Nas janelas estão estampadas caricaturas de alguns ícones irmãos Mário Von Haff, Júlia e Elsa Mbumba. Pretende-se, com este espaço, promover o conhecimento, actividades lúdico-educativas de cariz cultural, incentivar o uso da criatividade, promover formas alternativas de aprendizagem e dos hábitos, costumes, línguas nacionais e dialetos que caracterizam o povo angolano. Mário Von Haff realça que há um desconhecimento sobre aquilo que é a literatura angolana, a qual considera recheada de diversidades culturais.

Mas o que Von Hado Semba, como é o caso de Paulo Flores, Carlos Burity e Calabeto, entre outros artistas, que cintilam à luz das lâmpadas entrelaçadas por nós “simpáticos” feitos por um líder de escotismo. Na verdade, o recinto é uma sala de boas vindas, que daqui a pouco tempo será palco de saraus musicais, rodas de recreação e de promoção da cultura angolana e shows intimistas, por albergar não mais de 25 pessoas. Os gestores do espaço denominam esta sala por “Semba Café”.

No fim da “Semba Café, em forma recta, para a porta de entrada, há um corredor. No seu interior existem quatro portas. Nas primeira, à direita para quem estiver em sentido ascendente, lê-se em letras garrafais “Kudilonga”, uma expressão em Kimbundu que, traduzindo, quer dizer “ensinar”. A Kudilonga, pintada completamente de branco e bastante arejada, é um lugar adaptado a uma sala de aulas, com carteiras de madeira suportadas por ferro.

Trata-se de um cyber que acolherá workshops. Monandengue, conforme a sua tradução “criança”, é a sala a seguir, projectada para os mais pequenos. Ela está adornada com pegadas de mãozinhas, de fundo branco. No seu centro há uma mesa com literatura infantil. Von Haff , que fazia a visita guiada a OPAÍS, revelou que aí se pretende fi rmar um escritório nacional de Literatura Infantil. E acrescentou que a “famosa” escola Macovi, do Bairro Popular, comprometeu-se a ensinar as crianças que aí frequentarem a jogarem Xadrez, contribuindo para o aumento das suas capacidades intelectuais. Questionado sobre a previsão de as crianças fazerem barulho e incomodarem quem aí estiver a ler, o gestor avançou que estarão funcionários do espaço aí presentes para manterem a ordem.

Salas de jogo

Assim, aos amantes de jogos de tabuleiro e playstation, a sala Kiela estará de portas abertas. A mesma também servirá para o audiovisual, onde serão apresentados fi lmes. Depois deste corredor, que comporta quatro salas, há o espaço Okavango, uma homenagem às regiões de Angola.

Nesta sala existem “box’s”, caixas com estofo para amenizar a rigidez da madeira maciça para quem aí se sentar para ler. Devido à impenetrabilidade da luz, estas caixas têm no seu cimo lâmpadas de auxílio à visão. Para os apaixonados por literatura africana e nacional há um recinto específi co: a sala Ngongoyetu. Esta sala, pelo tamanho, vai acolher reuniões e exposições de quadros de pintura e fotografias.

Entretanto, para quem prefi – ra ler com a luz natural, há uma varanda sufi cientemente iluminada para não causar problemas visuais, com assentos estofados. Por seu turno, na sala denominada Negrita, em homenagem ao primeiro representante do Reino do Kongo no Vaticano, aí estão localizados alguns dos grandes clássicos e romances da literatura internacional.

Acesso Gratuito

A “Livrus Ponto Com” é uma casa de leitura gratuita, com excepção ao aluguer de salas, a diversão com jogos electrónicos, bem como o consumo de bebidas no bar e a reprografia.Von Haff diz que os valores arrecadados servirão para a manutenção do sítio e para a remuneração dos funcionários. O espaço era uma residência de família, agora adaptado a uma casa de leitura, feita com 90 por cento de madeira e ferro nacional, e adornado por artesãos e marceneiros. Desde a sua abertura, há duas semanas, tem recebido um número considerável de visitantes. Actualmente, a casa conta com cerca de 1100.

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