“É tudo falso. São manobras de pessoas que querem estar na presidência”

Depois de mais de uma semana à espera de uma resposta da Cruz Vermelha de Angola sobre as acusações de que o actual presidente e o director financeiro são alvos, eis que esta instituição decide finalmente falar a OPAÍS

Por:Romão Brandão

A princípio, queriam que esta informação fosse contida, por um lado, por não ser verdade, segundo eles, e, por outro, para não manchar o bom nome da instituição e beliscar a relação com os patrocinadores. Autorizados pelo presidente Alfredo Elavoco, Carlos Henriques (Gabinete Jurídico), Simão Caquarta (financeiro) e Artur Kapingala (Comunicação e Imagem), deram a versão da Cruz Vermelha de Angola, começando por dizer que todas as acusações apresentadas não têm fundamento e que só aparecem por existirem pessoas com “dor do cotovelo” por não terem ganho as eleições que colocaram Elavoco na presidência e tentam, a qualquer custo, destitui-lo.

Não é de agora que são acusados de desvio, porquanto têm-se deparado com publicações anónimas em páginas nas redes sociais sobre o assunto, bem como recebido correios electrónicos a falar sobre isso, o que fez com que apresentassem uma queixa ao Serviço de Investigação Criminal, no sentido de se identificar estas pessoas e as responsabilizar. “Não corresponde à verdade que tenhamos encontrado e açambarcado 500 mil dólares dos cofres da CVA.

Encontramos apenas 293.648,15 dólares, 42.058.443,07 Kwanzas e 8.867,05 euros. Parte deste dinheiro foi usada para pagar o equivalente a um ano de atraso salarial que encontramos, para além de restruturar algumas das nossas instalações”, defendem- se. As transferências feitas para a Cruz Vermelha de Benguela não foram ilegais, aliás, serviram também para a regularização dos salários em atraso, segundo os entrevistados, em todo o território nacional. Riram-se quando o repórter expôs a acusação da compra do carro Lexus, pois defendem que o presidente Elavoco tudo tem feito para melhorar o desempenho da CVA, que neste momento está a passar por uma situação difícil, com quatro meses de atraso salarial e poucas finanças.

Os quatro meses de salário em atraso não se devem ao facto de estarem a acontecer desvios ou gestão danosa, mas porque a secretária- geral, que gere o orçamento do Minstério da Saúde, sonegou dolosamente e não entregou os relatórios justificativos e contas da CVA ao MINFIN. A CVA está obsoleta, mas não é por culpa da actual presidência, segundo defendem. Esta é uma situação que poderá mudar nos próximos tempos e já têm enviesta mudança “não está a ser bem vista por muitos, inclusive por elementos mesmo ligados ao Conselho Executivo Nacional, que têm usado outras pessoas para boicotarem o nosso trabalho”. Recebemos duas inspecções A CVA reconhece ainda ter recebido a Inspecção Geral da Administração do Estado e a Inspecção Geral do Ministério da Saúde, mas não porque estão a ser acusados de desvios e má gestão, mas, sim, porque estas instituições têm o direito de assim proceder, uma vez que a CVA recebe verbas do Estado.

Aguardam pelo resultado das inspecções feitas, bem como pelo resultado do trabalho que está ser feito pelo SIC, pois acreditam que tarde ou cedo irão responsabilizar criminalmente quem está por detrás das denúncias anónimas que mancham o bom nome da instituição. Da mesma forma que dizem não estarem descansados e que procuram apoios de parceiros no sentido de dar resposta ao pedido de socorro dos “irmãos do Sul de Angola”, que sofrem com a seca e fome, uma vez que nos próximos dias realizarão campanhas de recolha de donativos e shows de beneficência, com o fim de os ajudar. “Há indivíduos bem identificados que estão com ânimos muito baixos pelo facto de não terem conseguido a posição pretendida em que agora nos encontramos.

Por isso, as suas atitudes e comportamentos traduzem-se em vingança e, acima de tudo, em frustração, pelas promessas incofessas que assumiram”, dizem. Há interesse da actual presidencia em realizar a Assembleia Geral Extraordinária, para aprovação dos Estatutos e do Plano Estratégico e de Acção, porque esses estrumentos são fundamentais para a orientação e execução de todos os projectos da organização. Mas esse evento “exige avultadas somas de dinheiro, o que nós não temos”. Finalmente, sobre as empresas de segurança, disseram que as razões que fizeram com que se rescindisse o contrato com a anterior foram meramente de perda de confiança.

Pois, depois de alguns meses, notaram que havia uma permeabilidade por parte dos efectivos na introdução de pessoas estranhas no estabelecimento. “Queremos, mais uma vez, apelar a todos os funcionários da CVA e parceiros, bem como a sociedade em geral, que chegou a hora de restituir a mística e imagem da CVA perdidas durante 12 anos”, terminaram.

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