Dança, música e gastronomia marcam celebração da Independência do Uruguai

O evento realizado pela Embaixada do Uruguai em Angola, com o apoio da Fundação Sindika Dokolo, contou com a presença de várias individualidades de ambos os países e decorreu sob o lema “ Angola e Uruguai- Histórias de União que transcenderam o Atlântico Sul/Muitas afinidades e grandes oportunidades por desenvolver juntos”. Durante a festa, os convidados puderam degustar várias iguarias típicas daquele país, como variados molhos, licor de doce de leite, lombinho assado com molho chimichurri, linguiça com molho crioulo, queijos da Conaprole e garrapinhada uruguaia (similar à paracuca angolana).

Com estes produtos, a embaixada pretendeu mostrar aos presentes o que o Uruguai tem para oferecer nesta matéria. Foram também apresentados vários estilos dançantes pela dançarique na uruguaiana Vitória Andrade, como o “Candombe”, ao ritmo do batuque, proporcionado pelo grupo de dança de percussão feminino Diamante. Trata-se de uma manifestação cultural, reconhecida e desenvolvida pela comunidade afro-descendente do Uruguai.

O secretario de Estado para Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Custódio Vieira Lopes, disse a este jornal que a dança “Candombe”, com ritmos característicos, é originária de Angola. “Hoje comemoramos os 194 da Independência do Uruguai e a nossa presença aqui prende-se por algo novo que eles trouxeram na área da cultura, que é a dança Candombe. Com essa expectativa que temos, estamos aqui para compartilhar essa festa”, aferiu. O responsável avançou que têm sido efectuadas visitas de governantes de ambos os países, e que em termos de acordos culturais, pretende -se explorar cada vez mais. “Não temos acordos culturais específicos, mas pretendemos ter, porque a história afinal nos aproxima.Assim sendo, vamos ver o que nós podemos buscar e também dar ao Uruguai”, disse o responsável.

A embaixada

A Independência de Uruguai foi proclamada a 25 de Agosto de 1825. O Embaixador em Angola, Álvaro González Otero, explicou que a celebração realizada no mês em curso deveu-se ao facto, de na altura, a maior parte dos convidados encontrar- se ausente do país, devido ao período de férias. “Isso porque nunca concordamos com o facto de fazer uma celebração histórica isolada. Acreditamos dançarique o mundo muda muito rápido, e este tipo de datas nos permite oferecer novos conhecimentos acerca do nosso país, em termos culturais e sociais”, observou. O diplomata disse que durante os quatro anos de existência da Embaixada no país desenvolveram várias actividades culturais em Luanda, incluindo certames que envolveram o tango, música popular uruguaia, cinema, gastronomia, difusão turística, letras, fotografia, artes plásticas e, agora, a dança “Candombe”. Avançou que as raízes dessa expressão musical e artística na história e na cultura do país levaram ao reconhecimento da UNESCO como Património Mundial. “Essa música e dança tem as suas raízes no reino do Kongo. Foi declarada Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2009”.

As artistas

A dançarina uruguaiana Vitória Andrade considerou ser satisfatório apresentar a dança nesta actividade. “É muito emocionante, para mim, apresentar essa dança em Angola, que foi levada por cidadãos africanos ao nosso continente, América do Sul”, considerou. Por sua vez, a percussionista angolana do grupo “Diamante”, Ruth António, referiu que através da dança os dois países podem estar mais unidos, com ritmos dos batuques, o que lhes permitiu apresentar várias coreografias. A artista referiu que a intenção era interagir, através da dança, com a bailarina uruguaia. “Foi uma óptima experiência, porque podemos aprender mais um pouco sobre os ritmos dançantes daquele país”.

A dança

O “Candombe” é uma manifestação cultural reconhecida e desenvolvida pela comunidade afrodescendente do Uruguai, como herança de ascendentes escravos africanos. Deste modo, vem desempenhando um papel significativo na cultura uruguaia nos últimos 200 anos. Teve origem a partir da chegada dos cativos saídos de África ao continente sul-americano. Surgiu no Uruguai no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio de la Plata. Tal afluxo de escravos fez com que, no início do século XIX, a população negra de Montevidéu fosse significativa. As raízes dessa expressão musical e artística na história e na cultura do país levaram ao reconhecimento da UNESCO (2009) como património imaterial da humanidade.

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