Luís Kiambata defende separação dos processos conflituosos no Plano de Reconciliação de Conflitos Políticos

O nacionalista e veterano da luta de libertação nacional ligado ao partido MPLA entende que enquadrar todos os conflitos num único processo de reconciliação é um má premissa e não vai ajudar no sarar das feridas das vítimas que sofrem, até hoje, de sequelas dos períodos conflituosos que o país atravessou de 1975 a 2002

O nacionalista Luís Kiambata defende a elaboração de forma faseada do Plano de Reconciliação de Conflitos Políticos recentemente apresentado pelo Executivo. Segundo Kiambata, apesar de a dor das vítimas dos Conflitos Políticos ser a mesma, por se tratar de angolanos, é preciso que se separe os processos de forma a se dar um melhor tratamento a cada período e a cada momento que o país viveu. O Plano de Reconciliação em Memória às Vítimas dos Conflitos Políticos, cuja implementação deverá culminar com a construção de um Memorial às Vítimas destes choques, foiapresentado recentemente na Assembleia Nacional pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, que é igualmente o coordenador da comissão para a implementação do referido paragrama. O plano, de âmbito nacional, visa reconciliar as vítimas de conflitos que o país viveu entre o ano da sua Independência, em 1975, até ao acordo de paz que pôs fim à guerra, em 2002. O Executivo entende que o plano é uma ferramenta que vai permitir erguer mais um marco do país, no que diz respeito à reconciliação, à paz, à paciência e ao perdão”. Para o nacionalista Luís Kiambata, que é um veterano da luta de libertação nacional ligado ao partido MPLA, enquadrar todos os conflitos num único processo de reconciliação é uma má premissa e não vai ajudar no sarar das feridas das vítimas que sofrem, até hoje, de dores causadas pelos diferentes períodos de conflitos que o país atravessou. No entender de Luís Kiambata, não se pode misturar as questões do 27 de Maio de 1977, período em que dezenas de milhares de angolanos foram torturados, mandados para campos de concentração e fuzilados sem julgamento, com o 11 de Novembro de 1975, ano em que Angola ganhou a sua Independência do Estado português. Conforme explicou, é preciso dar tratamento específico a cada período, resolvendo as questões uma por uma e não juntálas num único processo. “É um mau princípio. Não se pode misturar tudo no mesmo saco, como se fosse farinha. É preciso resolver cada caso ao seu tempo”, apontou.

Angolanos ainda não estão reconciliados

Por outro lado, o também diplomata disse que Angola tem ainda um longo caminho a percorrer para a efectiva reconciliação nacional, tendo dado o exemplo da questão dos ex-militares da UNITA e da FNLA que, passados muitos anos depois do conflito armado, ainda clamam pela sua efectiva reinserção nas Forças Armadas (FAA). De acordo com Luís Kiambata, não se pode falar da efectiva reconciliação sem que antes se acerte esses passos e outros de natureza social que continuam a dificultar a vida dos angolanos. “Ainda falta muito para a reconciliação nacional. Mas é preciso que todos contribuam no sentido de fazerem alguma coisa a favor da reconciliação nacional. Somos angolanos e precisamos de nos entender uns aos outros, apesar do longo período que vivemos separados”, frisou.

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